Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 03/10/2019

Observa-se que desde a pré-história já havia no mundo um padrão corporal de beleza, já que nesse período, por exemplo, mulheres com maior massa eram símbolos de fertilidade e riqueza. Assim, bem como na antiguidade, na sociedade atual pessoas que não se encaixam em medidas padronizadas são vítimas de  discriminação, como é o caso da gordofobia, que afeta quase toda a população brasileira. Diante disso, cria-se no país uma dicotomia entre a saúde e o preconceito acerca do sobrepeso e da obesidade, porquanto, em virtude da falta de informação, há na sociedade uma exclusão de pessoas gordas e também, com o advento da globalização, surgiram hábitos alimentares prejudiciais.

Sob esse viés, mostra-se evidente que a gordofobia, caracterizada como preconceito a pessoas com excesso de peso, se enquadra na Teoria do Habitus do sociólogo francês Pierre Bourdieu, visto que é reflexo de um padrão cultural imposto, naturalizado e reproduzido pela sociedade e traz prejuízos, não só sociais como à saúde da vítima. Isto é, devido a falta de conhecimento de parte dos indivíduos, mesmo às pessoas nas quais o sobrepeso não representa riscos á saúde a discriminação é frequente - consoante dado do Ibope, está presente na rotina de 92% da população - e leva, principalmente, jovens a tomarem medidas danosas para modificar seu corpo. Como consequência, o preconceito faz muitos indivíduos saudáveis com sobrepeso a ingerirem medicamentos para emagrecer ou a realizarem dietas prejudiciais que podem desencadear problemas sérios de saúde.

Ainda nesse contexto, é visível que o mau hábito alimentar da maioria dos brasileiros, baseado em uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, em outras palavras, produtos artificiais cheios de sal, açúcar, gorduras e texturizantes, é um empecilho no combate a obesidade, que é porta de entrada para doenças crônicas. Ou seja, a obesidade, que está em crescimento no Brasil, segundo dados da Vigitel, os quais afirmam um aumento de 67,8% nos últimos treze anos, pode provocar danos irreversíveis a saúde. Além disso, essa alta taxa tem como uma das principais causas a falta de atuação do Estado em relação a promoção de educação alimentar nas escolas.

Torna-se evidente, portanto, que a carência de informações é um fator comum tanto ao preconceito a indivíduos com sobrepeso, quanto a elevação do número de pessoas obesas. Desse como, com o fito de combater a gordofobia e minimizar o crescimento da taxa de obesidade no Brasil, é necessário que o Estado, por meio da disponibilização de verbas voltadas à educação, institua nas escolas, com o financiamento de cursos profissionalizantes aos professores, a educação alimentar, de modo não só a ensinar sobre nutrição adequada, como também abordar sobre a normalidade do sobrepeso, que na maioria das vezes não oferece riscos a saúde, para com isso diminuir o índice de gordofobia.