Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 10/10/2019
A sociedade moderna, difundida pelo filósofo coreano Byung-Chul Han, tratava o diferente como um inimigo a ser combatido. Com o avanço tecnológico, essa estrutura desenvolveu uma nova construção social, a sociedade do cansaço. Nesse cenário, o homem contemporâneo deixa de cuidar da sua saúde, pois está tentando se afirmar no mundo como produtivo. Assim, novas patologias surgem, como, por exemplo: a obesidade e o sobrepeso — que são resultados da falta de uma atenção profunda dedicada ao seu corpo e sua alimentação. Nesse estágio, o indivíduo descontextualizado arma-se de preconceitos padronizados que segregam o diferente em função do seu sucesso pessoal.
De início, vale ressaltar que a problemática da obesidade e do sobrepeso está atrelada a busca excessiva por felicidade. Urge dessa narrativa que o ser humano perdeu o foco e se tornou multitarefas, sendo assim, deixou de considerar sua atenção interna parte do processo e focou todo seu tempo na produtividade. Cabe pontuar ainda, que essa filosofia de positivismo construiu uma sociedade pautada na solidão, porque o indivíduo precisa segregar o outro para se afirmar único. Consoante a isso, está o saturado sistema de saúde brasileiro que, diante desse caos, padece e não consegue atender essa demanda. Este quadro evidencia a necessidade de profissionais dedicados à nova eugenia desse século, de modo a inserir ela como parte integrante da sociedade e não só uma parcela.
Contudo, nessa mesma perspectiva, o preconceito se relaciona com essa temática através de rótulos que perpetuam na construção cultural da sociedade. Esse debate surge da necessidade de dissociar esses indivíduos, como inaptos, sem saúde e improdutivos. Cerne que nem toda pessoa com sobrepeso tem problemas de saúde relacionados à obesidade, e que esse estereótipo só conduz uma discussão de afirmação entre o que é certo ou errado, o bonito ou feio, o magro produtivo e o gordo preguiçoso. Dessa maneira, se entende que a sociedade do filósofo coreano utiliza do preconceito para estereotipar o indivíduo que foge dos padrões.
Fica evidente, portanto, que essa narrativa precisa ser reconstruída. Assim, cabe ao Ministério da Educação em parceria com a mídia, investir em propagandas diárias que visem desconstruir esse estigma, com vídeos informativos sobre novos hábitos e como os estereótipos agem negativamente em sociedade, além de palestras nas escolas sobre aceitação e práticas saudáveis. Ademais, o Ministério da Saúde deve atuar na promoção de condições acessíveis à informação e a disponibilidade de profissionais que mapeiem para o indivíduo sua condição física e a atenção que deve ser dedicada a isso. Dessa forma, haverá na sociedade do cansaço um equilíbrio entre qualidade de vida e produtividade, sem a necessidade de segregar o outro em função da sua individualidade.
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Nessa narrativa as patologias desse século passam a ser neurais, como, por exemplo, a obesidade e o sobrepeso. Assim, versa dessa teoria que o indivíduo não se permite ter tempo para preocupações internas, sua alimentação, sua saúde, ficam abandonas diante da eterna tentativa de se afirmar como ser único e solitário na sociedade.