Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 25/09/2019
Em meados do século XX, a Revolução Verde fez com que a quantidade alimentos produzidos no mundo aumentasse de forma exponencial e, consequentemente, diminuiu o problema da fome em diversas regiões do globo. Logo, nos anos que precederam esse crescimento, a oferta de comida era menor, e somente aqueles de bom poder aquisitivo podiam comer em abundância. À vista disso, o sobrepeso era diretamente relacionado a riqueza e saúde. Todavia, ao longo dos anos, com o aprimoramento da ciência e o novo contexto mundial de comercialização de bens não-duráveis, o ganho de peso passou a ser associado à negligência com o corpo, a falta de controle sobre as próprias atitudes e descaso com o próprio bem-estar. Tais noções, nutridas pela mídia e padrões de beleza, deram origem a um terreno propício para produção de preconceitos, que se enraízam hoje em dia.
Diante desse cenário, de um lado estão os movimentos que tentam desconstruir padrões de beleza relacionados à magreza e incentivam a inclusão de pessoas acima do peso em propagandas, clipes musicais e desfiles. Tal inclusão é necessária, pois aumenta a representatividade de diferentes tipos de corpos existentes e desmitifica a ideia de que o “gordo” é feio e deve ser “escondido”. Do outro, estão aqueles que acreditam que a obesidade não deve ser romantizada e sim tratada. As ideias do último grupo, entretanto, muitas vezes não estão relacionadas à preocupação com a saúde da população, mas sim ao preconceito enraizado em uma sociedade que cultua o magro.
É preciso, assim, decompor o argumento utilizado por aqueles que disseminam a intolerância contra obesos, dito gordofobia: “a obesidade é prejudicial a saúde, portanto ser gordo é incorreto e deve receber críticas”. Antes de mais nada, é fato que tal condição física pode gerar malefícios à saúde e deve ser evitada, segundo a OMS. Em contrapartida, isso não é uma regra, pois nem todos que estão acima do peso possuem doenças relacionadas a tal fator. Associações equivocadas, como essa, não levam em consideração a possível satisfação pessoal com a aparência daquele que sofre com o preconceito. Assim, para mascarar a intolerância, muitos utilizam dados científicos ao se justificarem.
É inegável que a obesidade pode trazer problemas de saúde, entretanto, tal questão deve ser discutida livre de preconceitos e à luz da empatia com aqueles que estão acima do peso. É necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas que alertem a população sobre tais problemas, porém com enredos que incentivem a atividade física e boa alimentação, de modo que não se refiram diretamente à estética corporal volumosa. Isso fará com que as pessoas entendam a importância da vida saudável conhecendo as consequências dos atos que também levam a obesidade, mas sem ter o sobrepeso como causa primeira dessas doenças, e assim, atenuará a gordofobia no Brasil.