Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/09/2019
O processo de industrialização no âmbito agroalimentar a partir de 1980, no Brasil, provocou a diversificação da produção e do consumo dos alimentos. Nesse sentido, o crescimento da oferta de refeições rápidas acoplado à redução, por parte significativa da sociedade brasileira, da prática de atividades físicas, favoreceram o aumento da obesidade e do sobrepeso no país. Portanto, a articulação Estado - indivíduo torna-se necessária para solucionar os problemas concernentes dessa conjuntura.
O investimento no setor secundário da economia,sobretudo, durante o período do “milagre econômico”, favoreceu o ampliamento na produção de alimentos industrializados e fast food. Acoplado a isso, o uso do marketing, através de propagandas, favorece o consumo desses produtos, ao que, de acordo com o sociólogo Karl Marx, são transformados em “fetiches”. Desse modo, a má alimentação marcada por excessos e pela inexistência de dietas equilibradas, geram problemas de saúde, como o sobrepeso, que desencadeiam, ainda, processos de estereotipação. A exemplo disso, ao atentar-se que o preconceito é uma mácula da sociedade, a parcela de indivíduos supracitados encontra-se vulnerável a ataques tanto físicos ,quanto psicológicos, violência esta denominada por “gordofobia”. Por isso, é de suma importância além da redução do consumo de alimentos processados, a tolerância e o respeito por parte da sociedade.
Há, também, de se destacar o certame da prática de atividades físicas. O sedentarismo, ou seja, a inexistência de exercícios físicos, atinge cerca de 47% da população brasileira de acordo com a Organização Mundial da Saúde - OMS -. Estando, pois, atrelado à má alimentação provoca o problema da obesidade além de outros desequilíbrios, como a hipertensão e problemas cardiovasculares, que alteram a capacidade da realização de atividades cotidianas pelo indivíduo. A esse respeito, há de se levar em conta, como fatores ao presente cenário, por exemplo, o desenvolvimento dos automóveis que causam certa dependência e eliminam o uso de bicicletas e caminhadas, assim como a falta de planejamento semanal pelos indivíduos, a fim de dividir as atividades diárias com o objetivo de incluir a realização de exercícios físicos.
Por fim, medidas concretas devem ser engendradas na contenção dessa problemática. O Estado, na figura do Ministério da Saúde deve em parceria com ONG’s, promover campanhas de conscientização acerca dos malefícios da má alimentação e suas consequências organizando oficinas e palestras. Para isso, deve-se disponibilizar modelos de dietas saudáveis com relativo custo-benefício, a fim de reduzir os casos de obesidade e sobrepeso, além de estimular uma alimentação equilibrada.