Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/09/2019
Embrace, um documentário premiado em diversos festivais, trata sobre o padrão de beleza imposto na sociedade, principalmente à mulheres. Ao analisar o programa, percebe-se que esse padrão é imposto precipuamente pela mídia através de propagandas, do padrão dos atores contratados para os filmes, modelos de passarela e de fotografia, e qualquer meio midiático que estimule a ditadura da beleza. Dessa forma, distúrbios alimentares, depressão e o aumento do preconceito se tornam problemas cada vez mais presentes na sociedade brasileira. É importante analisar, primeiramente, o conteúdo que é transmitido para a população brasileira.
Destarte, é nítido o padrão europeu imposto pela mídia; pessoas brancas, olhos claros, cabelos lisos e magras são as que mais aparecem em novelas, filmes, propagandas, etc. Por esse motivo, são as mais aceitas no meio social. Além disso, quando pessoas que não seguem esse modelo aparecem nos meios de comunicação são comumente usadas para comédia ou para papéis inferiores aos do que seguem. Nesse viés, o estímulo ao preconceito é algo constante no Brasil e desencadeia diversos problemas mentais e físicos, como a depressão ou bulimia.
Outrossim, no filme O Mínimo para Viver é possível acompanhar as dificuldades de várias pessoas com transtornos alimentares, por meio de personagens que querem emagrecer a todo custo ou que não conseguem parar de comer, caso que aconteceu fora da ficção com Cleo Pires, atriz brasileira. De acordo com a artista, devido as pressões estéticas impostas, agravado pela constante opinião das pessoas sobre o corpo dela, ela desenvolveu depressão e compulsividade alimentar, o que a fez aumentar o peso e perceptivelmente ficar fora dos holofotes. Dessa perspectiva, conclui-se que a preocupação da sociedade não é com a saúde do indivíduo e sim, com a aparência que, de acordo com os valores impostos, tem que ser um corpo magro, mesmo que afete a saúde das pessoas.
Em suma, o Brasil, por mais que seja um país com diversos tipos de pessoas, ainda tenta se adequar a padrões que fogem da realidade local. Desse modo, é dever dos Três Poderes implementar uma lei que obrigue as mídias brasileiras, por meio de multas e punições, a mudar a forma com que produz os conteúdos transmitidos, incluindo pessoas com diversos tipos de beleza e não um só em maioria, para que os brasileiros sintam-se melhor representados e o preconceito diminua gradativamente. Ademais, à fim de estimular uma vida verdadeiramente mais saudável, o governo, na figura de Ministério da Saúde, deve promover palestras em universidades e em escolas, por meio de financiamento governamental, que incentivem a prática de hábitos saudáveis e boa alimentação sem enfatizar fins estéticos. Dessa forma, a sociedade se tornará mais saudável e tolerante.