Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Na década de 1970 os programas humorísticos da televisão brasileira exploravam o preconceito para fazer humor. À época, entre os quadros da Praça do Riso, existia o da personagem gorda encenada pela atriz Wilsa Carla. Para extrair gargalhadas do público, ela exagerava nas dificuldades das pessoas obesas. De lá para cá, os programas evoluíram. Fora das telas, o problema persiste. Diante disso, é inadmissível que pessoas obesas ou sobrepesadas sejam desrespeitadas e adoeçam por isso.

Em primeiro lugar, como um dos pilares da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está o respeito à dignidade do indivíduo. Porém, o que se assiste no Brasil é o contrário. Por conta disso, pessoas por estarem acima do peso e não atenderem ao padrão de beleza que tem como referência o corpo esbelto, são desdenhadas. Esse conceito é um absurdo para um país em que 54% da população está com sobrepeso, conforme informa o Ministério da Saúde. Assim sendo, é preciso que se tenha um olhar mais cordial para essa parcela que já é maioria.

Em segundo lugar, saúde não é apenas a ausência da doença. Para a Organização Mundial de Saúde é, também, o completo sentimento de bem-estar físico, mental e social. Esse sentimento é afetado, portanto, pela forma como a sociedade trata seus semelhantes. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, na sua obra “Modernidade Líquida”, a fluidez dos valores morais promove o individualismo e desprezo pelo outro. Para se contrapor a isso, cabe a própria sociedade se organizar para minimizar os problemas provocados por ela mesma.

Diante do exposto, infere-se que a saúde do obeso é afetada pelo preconceito que sofre. Dessa forma, compete ao Ministério da Saúde que é responsável pela promoção da prevenção e saúde coletiva, fazer campanhas contra a discriminação. Para isso, utilizará a internet e programas de TV para exibir filmes educativos sobre o tema. Dessa forma, evitará o preconceito e a prevalência de doenças, cuja origem está no desrespeito do outro como acontecia, inocentemente, na Praça do Riso.