Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 20/09/2019
O sociólogo William Hazlitt definiu o preconceituoso como o filho da ignorância. Relacionando essa definição ao problema de sobrepeso no Brasil, percebe-se que o preconceito sofrido por pessoas acima do peso tem afetado não apenas a saúde física, mas também ao emocional das mesmas. A falta de conhecimento de grande parte da população, juntamente às atitudes antiéticas de alguns, é o que tem contribuído na intensificação dessa problemática. Com isso, é necessário trazer esse assunto à tona para melhor discussão entre cidadãos e governantes, de modo que se desenvolvam soluções plausíveis.
Primeiramente, é importante destacar que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais da metade dos brasileiros estão com o Índice de Massa Corporal acima do valor considerado normal. Isso tem contribuído significativamente para o surgimento de várias doenças crônicas como diabetes, hipertensão, artrite, entre outras. Observando essas consequências, percebe-se que é necessária a mudança de hábito dessas pessoas, isto é, na busca da prevenção e controle desses males é importante ter uma alimentação mais saudável, praticar de exercícios físicos, ter acompanhamento com profissionais especializados e várias outras condutas.
Em segundo plano, é válido ressaltar também, a importância que a sociedade exerce em influencias comportamentais. A cultura de aceitar como normal a antipatia às pessoas acima do peso e com obesidade tem resultado em problemas emocionais graves, pois elas são diariamente alvos de piadas, brincadeiras de mau gosto e exclusão social. Isso ficou evidenciado na pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) onde demostrou que mais de 90% da população já praticou ou presenciou algum ato de repúdio à pessoas gordas. E essas, de forma desesperadas, acabam muitas vezes recorrendo a medicamentos e dietas desregradas, medidas não saudáveis, com intuito de se alcançar o emagrecimento imediato.
Urge, portanto, que a sociedade civil mais esclarecida exija que o Estado saia da inércia. Esse por sua vez deve agir através do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, que deverão promover programas de intervenções sociais, regidos por profissionais da área de nutrição, educação física e psicopedagogia, aberto em locais públicos como escolas, teatros e auditórios, abordando o tema com objetividade e clareza. Elucidando assim a população de como prevenir e controlar o sobrepeso e combater o preconceito e ignorância das pessoas a respeito da temática. Ademais, caberão as mídias sociais como telejornais e website divulgar a existência do problema, juntamente com dados e informações de orientação de ajuda. Assim, diminuirá a ocorrência desse antigo paradigma.