Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 21/09/2019
O mundo contemporâneo vive uma grande dicotomia. Ao mesmo tempo que, a mídia afirma que o belo é ser magro, o número de “fast food” cresce linearmente e, são justamente esses alimentos os maiores responsáveis pelo aumento da obesidade mundial. Neste contexto, os 18% de brasileiros obesos, segundo dados do Agência Brasil, além de preocupações com a saúde decorrentes do excesso de peso, lidam com preconceitos na sociedade, muitas vezes alimentados por não seguirem padrões midiáticos. Dessa maneira, alem de saúde pública, a obesidade é questão de Estado por se tratar de respeito e inclusão social. Logo, remediar tal problemática é imprescindível.
Em primeira análise, pode-se afirmar que, o preconceito aos obesos e sobre-pesos é oriundo da cultura vigente. Segundo Adorno e Horkheiner, estudiosos da escola de Frankfurt, a Indústria Cultural, molda padrões, comportamentos, gostos e, inclusive, a beleza. Nesse ínterim, o correto da modernidade é o magro, massificando essa ideia na mídia, nos manequins e sendo reproduzido no dia-a-dia. À Exemplo, é o fato de que, para algumas companhias aéreas, obesos só entram no avião se comprarem dois bilhetes, além disso, ao fato de que, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública, 92% dos brasileiros já terem cometido gordofobia, o que caracteriza preconceito ao gordo.
Em segunda análise, de conformidade com a teoria de Adorno e Horkheiner, a Indústria Cultural atuante, padronizou os alimentos tornando-os baratos e acessíveis, os chamados “fast-food”. Nas cidades, as multinacionais dos lanches são facilmente encontradas e, muitas vezes, abertas 24 horas o que, junto com a rapidez da entrega do pedido sejam a preferencia. Entretanto, o alto valor calórico desses alimentos, aliado ao estilo de vida sedentário, em especial aos dos jovens que fazem “home office” e trabalham horas sentados sem precisar ao menos se locomover ao trabalho, explica os 110% de aumento na obesidade em 10 anos entre os jovens, segundo o Agência Brasil.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para frear o crescimento da obesidade e o preconceito ao obeso no Brasil. O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve ser rígido e coibir propagandas com conteúdos que denigram a imagem do obeso, a fim de diminuir a reprodução do preconceito. Ademais, as empresas aéreas que cobraram duas cadeiras para os passageiros de elevado peso, além de devolverem devidamente o dinheiro da passagem extra aos prejudicados, deverão se adequar à assentos que obedeçam as exigências desse público, assim como de qualquer outro, dando-lhes o devido direito e dignidade. Nesse ínterim, empresas preocupadas com a saúde de seus funcionários, podem construir academias no local de trabalho facilitando o acesso, ou, fornecendo-lhes horas de abonos, em caso de comprovação de atividades físicas semanais.