Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 21/09/2019
No livro “Extraordinário”, de R. J. Palacio, o protagonista, Auggie, sofre com uma deformação facial e tem dificuldade de ser aceito pelos colegas da escola, sendo vítima de bullying. Assim como o personagem, uma grande parcela da população do Brasil convive com uma discriminação diária baseada na aparência: o excesso de gordura. Logo, além dos problemas de saúde ligados à obesidade, o preconceito também participa da rotina dos brasileiros com sobrepeso.
A princípio, a obesidade foi declarada como doença crônica, em 2013, pela Associação Médica Americana, tornando-se caso de saúde pública. Acompanhando as Revoluções Industriais, dos séculos XIX e XX, as redes alimentícias passaram a refletir o desenvolvimento da maquinofatura e a aceleração do processo produtivo e seguiram o mesmo padrão: originou-se o “fast food”. A partir disso, os hábitos alimentares saudáveis dos brasileiros, assim como o resto do mundo, foram tratados como coadjuvantes, intensificando a condição emergencial de uma sociedade doente, uma vez que a obesidade – a qual atinge cerca de 20% da população nacional, segundo o Ministério da Saúde – abre portas para outras enfermidades, como diabetes, hipertensão, infarto, entre outras, além de condenar o indivíduo a um estilo de vida desconfortável e degenerativo.
Além disso, a gordofobia está presente na vida daqueles com sobrepeso, os quais são vítimas de uma gama de ofensas e barreiras impostas. Sob a óptica da estética, o culto ao corpo esguio tem origem recente, na Idade Moderna, e desenrola-se ao longo da História; desde então, esse padrão de beleza é retalhador para os que não se enquadram, como é o caso dos obesos, que são vistos como preguiçosos e indisciplinados. Nesse cenário, os prejuízos conduzidos por essa condição são vastos e ocorrem desde o bullying na escola até a demissão no trabalho; são também movidos por convenções sociais, como, por exemplo, o imaginário de que obesos não têm capacidade de autocuidado. Assim, por esses motivos, aqueles com sobrepeso têm menos chances de serem contratados no mercado de trabalho e sofrem com a deficiente ação de políticas públicas para a melhora em sua qualidade de vida.
Portanto, é necessário amparo do Ministério da Saúde, por meio de investimentos em pesquisas sobre o tema e de divulgação geral sobre estilos de vida saudável – como sugestões de exercícios e cardápios –, a fim de melhorar a qualidade de vida da população. Ademais, é importante a ação do Estado para promover a inclusão social daqueles com sobrepeso, por meio da construção de espaços e sistemas úteis, como catracas largas, calçadas mais planas e bancos de praça maiores, com o objetivo de acabar com a discriminação social. Dessa maneira, será possível estabelecer hábitos de vida saudáveis no país e diminuir o preconceito contra pessoas com sobrepeso.