Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 24/03/2020

No filme “O amor é cego”, o protagonista é hipnotizado para conseguir ver a beleza interior das pessoas; por isso, quando conhece Rosimary, uma mulher encantadora e obesa, ele começa a enxergá-la magra, com um corpo padrão. Fora da ficção, é nítida a oposição feita entre o bonito e o gordo, exemplificando um dos fenômenos mais frequentes da atualidade: a gordofobia. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, em busca do corpo ideal, diversas pessoas seguem dietas que prometem mudanças rápidas em seus corpos. O grande problema delas é que por serem muito restritivas, segui-las se torna uma verdadeira prisão, levando a outro impasse: os transtornos alimentares. A indústria de alimentos tem uma influência crucial nesse ponto, já que para aliviar a ansiedade, a procura pelas bolachas recheadas e “salgadinhos” aumenta. Por serem produtos ricos em açúcares, elevam o nível de serotonina no sangue, dando uma sensação de prazer.

Posteriormente, a discussão sobre “padrões” sempre irá existir, pois é por meio delas, como dizia Freud, em um de seus debates psicanalíticos, que surge a identificação e, com ela a empatia. O problema é que não existe, na maioria das vezes, empatia com o corpo gordo, porque ele é associado à uma má alimentação, a um “deslize” e a um estilo de vida não saudável e que não merece respeito. Dessa forma, por meio dessas justificativas, pessoas obesas são frequentemente excluídas ou sofrem preconceito.

Para que esse cenário seja superado, é de fundamental importância o apoio às pessoas com sobrepeso. Além disso, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, poderia trazer essa discussão para os programas televisivos, como uma forma de desmitificar e humanizar pessoas que sofrem com a obesidade e seus estilos de vida. Apenas assim, poderemos chegar a uma sociedade integrada.