Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 24/09/2019
O problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil não pode continuar a ser tratado como um “mal em si” que acomete a população sem uma causa definida. É talvez, o efeito mais visível de perversidade da lógica capitalista. Na raiz está a indústria alimentícia dominada por grandes corporações que, poderosas, são capazes de subjugar governos. Na sua esteira beneficiam-se as indústrias ligadas à saúde e à beleza.
A engorda do brasileiro teve início com o processo de urbanização e está relacionado, sem dúvidas, com o acesso e consumo de alimentos industrializados. A associação do sobrepeso a problemas de saúde é de domínio público, mas pouco se discute quanto a relação direta destes com o consumo cada vez mais prevalente de alimentos processados. No conflito de interesses o Estado inexiste pois, na sucessão de governantes, os compromissos transacionais são cada vez mais imbricados.
Por outro lado, a gordofobia, verbete a que incautos atribuem o significado de preconceito ao gordo, serve como luva para turbinar os negócios. Afinal, com a maioria da população vivendo o sobrepeso, mantido o mito do corpo perfeito, não faltarão clientes. Enquanto não houver um aprofundamento no debate, a proliferação de dietas milagrosas, farmácias e academias de ginástica cada dia mais suntuosas e de uma infinidade de cosméticos continuará incólume, numa perfeita de simbiose com os oligopólios da alimentação.
Portanto, o engordamento da população brasileira é um complexo problema de saúde pública que se agrava com a passividade compulsiva do Estado. Sendo assim, cabe à sociedade civil organizada (ONG’s, de Conselhos de Classe e Associações, por exemplo), fomentar o exercício da democracia direta. No escopo estão a realização de campanhas com ampla divulgação sobre alimentação saudável e iniciativas populares propondo leis restritivas ao consumo de alimentos processados. Só com o engajamento de uma sociedade esclarecida será possível relativizar o lucro, humanizar o capitalismo e promover o bem-estar social.