Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 29/09/2019

A sociedade moderna resgata o culto ao corpo, ideal existente desde o surgimento dos jogos olímpicos, na Grécia Antiga. Contudo, os valores foram distorcidos, de modo que apenas a forma tornou-se importante. Por esse motivo, o discurso preconceituoso, muitas vezes, confunde-se à ideia de saúde. A gordofobia compreende atos cruéis praticados contra pessoas que não se enquadram no padrão, entretanto, os hábitos de vida modernos possibilitam o aparecimento de doenças associadas à massa corporal. Nesse sentido, como distinguir o preconceito do cuidado com a saúde?

Por um lado, a gordofobia apresenta-se socialmente sob diversos aspectos e afeta a vida daqueles, fora do padrão social de beleza, que são alvos da exclusão por ela provocada. O discurso gordofóbico foi bastante naturalizado por meio de shows de humor, ensaios publicitários e, principalmente, pela indústria da beleza. A última lucra com a venda de remédios, chás e pílulas que prometem o “corpo perfeito”. Além disso, o preconceito disfarçado de humor afeta a vida escolar de pessoas que são submetidas ao bullying e apresentam risco maior de desenvolver distúrbios alimentares. Fato comprovado por estudo da OMS que aponta 4,7% da população brasileira com algum tipo de transtorno alimentar sendo os jovens entre 14 e 18 anos os mais afetados.

Por outro lado, a alimentação inadequada é uma característica bastante atual, o consumo de alimentos ultra processados e até fatores genéticos contribuem  para o aumento da obesidade. Segundo pesquisa VIGITEL de 2018, encomendada pelo Ministério da Saúde, houve aumento de 67,8% nos índices de obesidade do país. A pesquisa apontou que apesar do brasileiro ter incluído mais legumes e verduras em suas refeições, o índice de obesidade continua a elevar-se. Fatores genéticos contribuem para expressão da obesidade porque estimulam o consumo aumentado de alimentos. Outrossim, o elevado índice de massa corporal representa fator de risco para doenças crônicas como Diabetes Tipo 2 e Hipertensão Arterial.

Portanto, o governo federal, em associação com estados e municípios, deve aumentar a oferta, nas Unidades Básicas de Saúde(UBS), de profissionais da nutrição e educadores físicos. Desse modo, a população poderá ser orientada, por meio de consultas e campanhas, a construir hábitos alimentares mais saudáveis aliados à prática de atividade física. Ademais, a mídia pode, por meio de propagandas, telenovelas e programas abrir espaço para representatividade positiva da pessoa gorda e em debates e reportagens desconstruir o ideal do corpo saudável associado à magreza.