Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Chamado de ‘‘Quilos Mortais’’ no Brasil, ‘‘My 600-lb Life’’ é um famoso reality show da televisão americana, que mostra a vida de dificuldades e riscos que indivíduos obesos levam, bem como sua rotina diária de hábitos que os farão emagrecer e superar esse revés. Contudo, a problemática da obesidade não é uma questão exclusivamente estadunidense, visto que, em terras tupiniquins, pessoas com sobrepeso têm sua vida impactada no que tange à saúde e ao preconceito que enfrentam. Assim, é lícito afirmar que a ineficiência escolar, além da postura nociva de parcela da sociedade, contribuem para a perpetuação do quadro negativo que os obesos enfrentam no país.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte da escola, a ausência de políticas que promovam a saúde e o emagrecimento dos brasileiros. Essa lógica é evidenciada pelas aulas de educação física na maioria das instituições, que se limitam a partidas de futebol e não fazem com que crianças e adolescentes sejam instigados a realizar atividades físicas. Consequentemente, à medida que não se sente estimulado a praticar esportes e atividades benéficas à saúde, o sujeito é potencialmente transformado em um ser sedentário ainda nas etapas iniciais de seu desenvolvimento. Logo, é relevante a mudança desse quadro, que faz da escola um agente reprodutor do sedentarismo.

Outrossim, é imperativo pontuar o preconceito cotidiano pelo qual passam os obesos no Brasil, no  que tange os espaços que não levam em conta a diversidade de corpos. Prova disso são os assentos de ônibus e poltronas de aviões, que são projetados com base nas medidas corporais de pessoas magras e ignoram os obesos, percentual da população que aumentou 67% no Brasil, segundo dados de 2019 do Ministério da Saúde. Com isso, indivíduos com sobrepeso sofrem uma espécie de marginalização, não sendo considerados usuários de coisas banais, como uma catraca de ônibus e até mesmo de uma poltrona de cinema.

Infere-se, portanto, que é preciso combater a obesidade e adequar o Brasil às pessoas que são atingidas com esse problema. Posto isso, o Ministério da Educação - órgão máximo de administração educacional no país - deve, por meio de um amplo debate entre Estado, escola e sociedade civil, inserir no currículo escolar do ensino fundamental e médio uma maior variedade de opções para aulas de educação física, como atletismo e dança, a fim de estimular os estudantes a se identificarem e aderir à prática do exercício físico pois, como pontuou Platão, pensador grego, o importante não é viver, mas viver bem. Ademais, é preciso que o setor empresarial revise suas políticas de inclusão e, mediante estudos e análises de conformidade, criem mais espaços inclusivos para os obesos, como rampas de acesso e assentos maiores.