Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 21/09/2019

A Mulher de Willendorf, escultura feita há mais de 22 mil anos atrás, é representada com grandes proporções corporais, apresentando grande sobrepeso, esse foi o padrão de beleza nas sociedades por muitos séculos, ter um corpo volumoso era sinônimo de saúde. Hoje entretanto, essa configuração encontra-se contrária. Além das descobertas da medicina sobre os problemas gerados pelo excesso de peso na saúde, outras consequências sociais são geradas indiretamente pelo sobrepeso e pela obesidade. Esses fatores acabam diminuindo a qualidade de vida desses indivíduos tanto por problemas físicos como psicológicos.

Atualmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 75 milhões de brasileiros estão acima do peso. Essa problemática é condicionada por fatores genéticos e sociais. Com a sedentarização do homem e a industrialização, tornou-se possível trabalhar todos os dias sem se movimentar e ainda se alimentar constantemente. Consequentemente, a sociedade atual é mais tendenciosa a ter problemas como o excesso de peso. É importante ressaltar, que essa condição pode gerar problemas sérios à saúde como a diabetes do tipo dois, artrites, artroses, a hipertensão e outras doenças cardiovasculares que prejudicam a qualidade de vida dos indivíduos e podem até mesmo se tornar fatais.

Outrossim, não somente os danos à saúde física assombram a vida de uma pessoa com excesso de peso. Constantemente, esses indivíduos passam por situações de preconceito por sua condição física, mais de 90% da população brasileira afirma já ter cometido gordofobia, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Haja vista que, os veículos de mídia atuais difundem o desejo pelo “corpo padrão”, normalmente magro, torna-se corriqueiro o preconceito com quem foge desse padrão, como as pessoas gordas. Essa manutenção do preconceito, já é tão comum que ele não é visto como errado, adequando-se ao conceito banalidade do mal da filósofa alemã Hannah Arendt. Assim, os indivíduos com excesso de peso acabam adquirindo sérios problemas psicológicos causados por essa exclusão social, como a depressão e a ansiedade.

Portanto, para garantir uma melhor qualidade de vida para os brasileiros com sobrepeso é preciso, além da assistência à saúde, que esses indivíduos sejam incluídos na sociedade de forma íntegra. Para isso, cabe aos veículos de mídia, como os sites, redes sociais e programas de televisão, praticarem a inclusão de pessoas gordas, por meio de sua inserção nos programas, propagandas e campanhas, para que assim essa parte da população se sinta representada e, consequentemente, deixe de sentir vergonha dos próprios corpos, processo esse benéfico para a saúde mental.