Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 23/09/2019
O preconceito está nos olhos de quem vê
Desde a pré-história, a obesidade assumiu um papel preponderante na vida dos seres humanos, sendo referida como símbolo de beleza e fertilidade. Entretanto, no Brasil, os indivíduos obesos e com o peso acima na média são constantemente marginalizados. Com efeito, não é razoável que essas pessoas sejam consideradas doentes apenas por não se encaixarem no padrão estético da sociedade contemporânea.
Em primeiro plano, a obesidade e o excesso de peso são frutos da interação entre fatores genéticos e sociais. Nesse contexto, a música “Geração Cola-Cola”, da banda Legião Urbana, com o trecho “Nos empurraram com os enlatados” e “Desde pequenos nós comemos lixo” mostra a relação entre consumismo e má alimentação. Como consequência, aqueles que possuem a pré-disposição ao sobrepeso, acabam engordando mesmo que se alimentem como a grande parcela da população.
De outra parte, a discriminação corrobora a condição de obesidade. A esse respeito, o filósofo Voltaire afirma que “Preconceito é opinião sem conhecimento”. Assim, muitos indivíduos que tentam perder peso por questões médicas, ou, até mesmo em detrimento do próprio bem-estar, se deparam com obstáculos como o constrangimento nas academias e até mesmo entre profissionais da saúde.
Urge, portanto, que o viés negativo do sobrepeso seja desconstruído. Para tal, o Mistério da Saúde de realizar campanhas nas mídias sociais sobre a gordofobia, visando conscientizar a população civil sobre a baixa autoestima e quadros de depressão desencadeados pela intolerância. Outrossim, as prefeituras municipais devem realizar atendimentos com nutricionistas nas escolas, a fim de advertir os estudantes sobre as doenças provocadas pela má alimentação, dado que elas não atingem apenas aqueles que estão acima do peso. Destarte, espera-se contribuir para a formação de uma sociedade que saiba conviver com as diferenças.