Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 23/09/2019

Questões sociopolíticas e individualismo. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, essas são as pedras no caminho que levam ao dilema sobre saúde e preconceito em relação ao problema da obesidade  no país. Motivado por causas conjunturais e estruturais, esse impasse insiste em ocorrer. Por isso, é necessário que se promovam esforços para mitigar essa questão.

Em primeira análise, questões sociopolíticas contribuem com o problema. Nesse sentido, o filósofo grego Aristóteles defendeu que a política tem a função de promover o bem-estar da população. Sob essa lógica, percebe-se uma lacuna no dever político de oferecer aos indivíduos esse bem-estar proporcionado pelos meios de mudar seus hábitos de vida, seja pela construção de parques com aparelhos de ginástica e espaços para realização de exercícios aeróbicos, seja pela falta de programas que incentivem a prática de atividades físicas. Consequentemente, com a inércia do poder público, ocorre a persistência da problemática, o que corrobora a agravar a saúde do indivíduo.

Além disso, o individualismo, explicitado pela prática do preconceito, também contribui com a situação. Assim, Zygmund Bauman, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, defende a dificuldade das pessoas em se colocar no lugar alheio,o que caracteriza o individualismo. Nesse contexto, o indivíduo, ao praticar o preconceito, tem essa dificuldade citada por Bauman, quando não reflete sobre sua atitude, em como ela poderia causar problemas de auto-estima no outro. Nesse contexto, a saúde mental do obeso também é atingida pela prática preconceituosa, o que chama a atenção para a complexidade da discussão.

Convém, portanto, que, de maneira urgente, medidas sejam tomadas. Logo, o Governo Federal, em parceria com os Governos Estaduais, deve disponibilizar verbas à todos os municípios brasileiros para a construção de espaços de lazer adaptados para a prática de atividades físicas. Ademais, devem ser divulgados, nos meios de comunicação, programas que incentivem a prática de exercícios nesses novos espaços e, também, promova mensagens de reflexão a prática do preconceito em indivíduos obesos, em como isso pode afetar a auto-estima dessas pessoas. Dessa forma, as pedras do caminho serão removidas, o que abre espaço para um Brasil com uma população saudável.