Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 22/09/2019
O problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil, não pode continuar sendo tratado como mal em si, que acomete a população sem causa definida. É talvez o efeito mais visível de perversidade da lógica capitalista. Na raiz do problema está a indústria alimentícia dominada por grandes corporações que, poderosas, são capazes de subjugar governos. Na sua esteira beneficiam-se as indústrias ligadas à saúde e à beleza.
Ora atribuído ao sedentarismo, ora ao estresse, cria-se a sensação de que a culpa é de quem engorda e que, a partir do sobrepeso, os problemas de saúde aparecem. Raramente se associa os problemas de saúde diretamente à má alimentação. Há uma razão para isso: No conflito de interesses, a figura do Estado inexiste pois, na sucessão de governos, os compromissos transacionais são cada vez mais imbricados.
Por outro lado, a gordofobia, verbete a que os incautos atribuem o significado de preconceito ao gordo, serve ao mercado como uma luva para turbinar os negócios. Ou não existe uma proliferação de dietas milagrosas, farmácias e academias de ginástica cada dia mais suntuosas e de produtos de beleza? A resposta é sim, e em franca expansão, graças às podres delícias lançadas em profusão.
O engordamento progressivo da população, portanto, é um complexo problema de saúde pública que se agrava pela passividade compulsória do Estado. Sendo assim, cabe à sociedade civil organizada (ONG’s, Conselhos de Classe e Associações, por exemplo) fomentar o exercício da democracia direta com realização de campanhas de ampla divulgação sobre alimentação saudável e manifestações e iniciativas populares com proposição de leis restritivas ao consumo de alimentos processados. Só com o engajamento de uma sociedade esclarecida será possível relativizar o lucro, humanizar o capitalismo e promover o bem estar social.