Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 24/09/2019
Shake redutor de medidas. Dietas “Low carb”, “Dukan”, da sopa, do chá, da lua. E, para completar, séries e mais séries de abdominais e agachamentos. A era fitness tomou rapidamente as redes sociais, enchendo as famosas “timelines” dessas fórmulas para conquistar o “corpo perfeito”. Contudo, esse mundo ideal esconde uma série de problemas que ultrapassam a ideia de bem estar. Dentre eles, pode-se destacar o preconceito gerado por determinados padrões e o comprometimento à saúde. Tudo isso apenas para driblar a obesidade e o sobrepeso.
É preciso observar, em primeiro lugar, que essa corrida contra a balança surge devido aos preconceitos gerados pelos esteriótipos existentes. Para ilustrar essa problemática, o “Mito da caverna” do filósofo Platão mostra-se pertinente. Adaptando esses conceitos à atual realidade, percebe-se que, assim como os “homens da caverna” do pensador grego, hoje inúmeras pessoas vivem confinadas em um contexto de imagens físicas, as quais impõem padrões de beleza como regras a serem seguidas. Fato esse que, consequentemente, institui a gordofobia, pois tudo aquilo que diverge do magro, alto e forte deve ser temido e rejeitado.
Cabe ressaltar, além disso, que os problemas são multiplicados quando os indivíduos adotam “fórmulas milagrosas” para se livrar da obesidade e do sobrepeso. Tal atitude resulta da combinação entre os padrões de beleza e o “império das aparências”. De acordo com o escritor Guy Debord, a contemporaneidade é classificada pela “sociedade do espetáculo”, ou seja, sua característica principal é a de diluir a essência do ser dando lugar ao parecer. Nesse contexto, a maior parte dos brasileiros, por exemplo - os quais se encontram em meio aos 40 milhões de pessoas obesas no país - para aparentar enquadramento social nesse mundo imagético, prefere anular-se com o objetivo de se assemelhar a beleza imposta. Para tanto, fazendo uso de remédios perigosos como a Sibutramina que oferece emagrecimento fácil às custas da deterioração física.
Fica claro, portanto, que a saúde é esquecida frente ao preconceito gerado pelos padrões. Logo, para minimizar essa situação, grandes empresas brasileiras, como a Natura e o Boticário, podem desenvolver propagandas engajadas que estimulem o indivíduo a ser como é naturalmente. A fim de desfazer os moldes humanos existentes. Ademais, o Ministério da Saúde deve informar claramente a população sobre os riscos de se adotar dietas e medicamentos que promentem tranformações rápidas. Para isso, precisa estimular os indivíduos por meio de campanhas públicas, as quais guiem as pessoas a um caminho mais saudável do bem estar.