Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Na obra “Modernidade Líquida”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o mundo Pós-moderno é caracterizado como um conjunto de aceleradas e fluidas relações sociais. Para acompanhar esse frenético ritmo da sociedade contemporâneas, a alimentação foi negligenciada e a obesidade tornou-se um grande problema, acometendo, principalmente, as crianças. Nesse viés, fatores de ordem educacional, bem como econômica, caracterizam o caótico quadro de sobrepeso na sociedade brasileira. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequências desse cenário, assim como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, é importante pontuar a omissão do meio acadêmico quanto à alimentação do jovem. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. As escolas brasileiras, contudo, negligenciam a saúde dos estudantes ao não os instruir sobre os riscos da obesidade e as formas de preveni-la. Desse modo, como reflexo de uma população ignorante frente aos hábitos ideais, 30% dos adolescentes apresentam sobrepeso, segundo dados do Ministério de Saúde.

Outrossim, convém destacar a busca desenfreada pelo lucro como agravante desse processo. Consoante Marx, em um mundo capitalizado, o desejo pela prosperidade ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as grandes empresas alimentícias vendem a imagem de seus produtos atrelados às ideias de felicidade e de realização pessoal, os quais, a despeito de saborosos são, na verdade, ricos em sódio e gorduras saturadas. Por conseguinte, uma alimentação irregular está relacionada não apenas ao aumento da massa corporal, mas ainda eleva em cerca de 62% as chances do desenvolvimento de problemas como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral, tal qual consta em artigo do British Medical Journal (BJM).

Considerando-se os aspectos mencionados, é dever das escolas, em consonância às famílias,  conscientizar os jovens acerca da importância de uma alimentação saudável. A ideia de tal medida é, a partir de palestras e debates nas salas de aulas, além de diálogos esclarecedores em casa, consolidar as crianças e adolescentes quanto aos bons hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos. Ademais, cabe ao Governo Federal, por intermédio dos órgãos responsáveis, regular as propagandas alimentares que circulam no país. Essa proposta deve contar com a aprovação de leis que obriguem as indústrias a avisar ao público sobre os riscos do consumo excessivo de seus produtos. Quem sabe assim, o Brasil conseguirá minimizar os casos de obesidade, construindo uma sociedade mais saudável.