Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 24/09/2019
De acordo com a OMS, um indivíduo saudável é aquele que apresenta bem-estar alimentar, psicológico e social. À vista disso, uma pessoa sadia pode apresentar sobrepeso, visto que ele está relacionado ao gasto de calorias, por outro lado, uma pessoa obesa já não pode se adequar a esse conceito, tendo em vista que, a obesidade é referente a ingestão excessiva de gordura.Portanto, observa-se que, esses conceitos não são sinônimos, e erroneamente, muitos brasileiros devido ao pouco conhecimento, ao fator histórico-global e o culto à ciência contribuem para perpetuar o preconceito na sociedade.
Em primeiro lugar, segundo a Vigitel, aproximamente 42 milhões de brasileiros são obesos, enquanto que,113,4 milhões estão com sobrepeso. Isso indica que, os brasileiros passaram a consumir mais produtos que contém gorduras, como os fast food, e deixaram de realizar exercícios físicos regularmente. Essa mudança de comportamento pode ser vista a partir do processo de globalização, que facilitou que as grandes empresas adquirissem mais consumidores, agregando aos seus produtos valores como status e prazer. Dessa forma, muitos brasileiros foram persuadidos a consumir essas mercadorias que, muitas vezes, traz mais malefícios que benefícios.
Em segundo lugar, é imprescindível destacar a importância que o papel do corpo possui na sociedade ocidental, na qual há grande valorização do corpo, na atualidade o magro, mesmo que este não seja saudável. Prova disso, é o livro “A falência” da escritora brasileira Júlia de Almeida, que narra uma história do século XIX, em que uma das personagem é valorizada por apresentar um corpo robusto, considerado na época, bonito e saudável. Contudo, pós-positivismo com o desenvolvimento da ciência, o conceito de saúde, foi invertido, agora relacionado ao corpo delgado, e este posteriormente ligado ao belo. Assim sendo, a ciência e interligada com as inovações tecnológicas, além dos valores sociais, contribuíram para sustentar o preconceito contra pessoas gordas.
Portanto, é fundamental que políticas públicas sejam implementadas e os valores sociais revisados, para que, dessa forma, a questão da saúde seja discutida e o preconceito existente na sociedade brasileira, mitigado. Para isso, é necessário que o órgão público como o Ministério da Saúde e a mídia, respectivamente responsáveis por criar e implementar planos orientados para a assistência à saúde dos brasileiros, e por apresentar grande difusão de conhecimento e público, trabalhem em conjunto através de campanhas contra gordofobia e divulgação de fóruns, que tem por objetivos levar para os espaços públicos debates e inclusão política, uma vez que a gordofobia adentra diversas áreas da sociedade, e dessa maneira, como estabelece a Constituição Brasileira, a igualdade perante a lei sem distinção de qualquer natureza será alcançada.