Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 25/09/2019

Segundo a Organização Mundial da Saúde, doença é qualquer interferência no equilíbrio biopsicossocial do indivíduo. Diante isso, a obesidade vem a ser um fator de risco para uma série de doenças como diabetes, hipertensão, entre outras doenças cardiovasculares. Além disso, o preconceito acompanhado às pessoas de sobrepeso correlaciona no desenvolvimento de distúrbios mentais, tal como depressão. Portanto, a obesidade é um problema de saúde pública que precisa ser superado ao lado da gordofobia.

A priori, a obesidade é criticada desde a Grécia Antiga, consoante o filósofo Platão, a gula era moralmente condenável porque prejudicava o pleno desenvolvimento do intelecto. Hodiernamente, a gordofobia prevalece nos diversos pilares da sociedade e é proporcional a medida que aumenta o índice de obesos no país. Para ilustrar, segundo o Ministério da Saúde, a obesidade cresceu em 67% nos últimos 13 anos. Uma das explicações é o atual consumo elevado de alimentos ultraprocessados, com alto teor de gordura e açúcar, o que preocupa membros da saúde pública. Por outro lado, existe a ideia errônea de que o corpo gordo é sinônimo de doença, daí sobressai a gordofobia.

Por consequência, pessoas com sobrepeso são extremamente estigmatizadas e estereotipadas, pois o preconceito não vem da preocupação com um modelo de vida saudável, mas sim decorrente da pressão estética na sociedade brasileira, por meio do padrão de beleza que a mídia estabelece na busca do “corpo perfeito”. Outrossim, além das principais complicações de doenças cardiovasculares que atingem 36 milhões de indivíduos, perante o Ministério da Saúde, os obesos em geral têm 7 vezes mais chances de ter depressão. Ou seja, políticas públicas devem ser efetuadas com foco no equilíbrio físico e mental da pessoa para não ampliar os efeitos negativos da obesidade.

Destarte, cabe ao Conselho Nacional de Saúde combater o preconceito gordofóbico na área da saúde de modo humanizado, com participação de instituições governamentais e não-governamentais através de programas de conscientização ao público livre, do que significa saúde e as implicações que o preconceito traz - principalmente nas redes sociais, local mais acessado pelos jovens. Ademais, compete ao ministério da Saúde disponibilizar no SUS, médicos e nutricionistas especializados em obesidade para fornecer à população tratamento acessível, com apoio de consultas periódicas de psicólogos a fim de observar e tratar da saúde mental. Assim, brasileiros saudáveis não serão mais vítimas do padrão imposto socialmente.