Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 04/10/2019

Considerada doença pela Organização Mundial de Saúde a obesidade passou a ser combatida pelos riscos associados a suas comorbidades. Por conseguinte, o excesso de peso começou a ser atrelado, no imaginário social, a falta de cuidado com o corpo ou a ausência de hábitos saudáveis, fato que contribui para perpetuação de preconceitos e discriminação com aqueles que não estão no padrão de peso esperado.

A principio faz-se importante destacar que a preocupação com a saúde relacionada a comorbidades na  obesidade é legítima, no entanto, também vale lembrar que esta é uma doença multifatorial, tendo influência de fatores genéticos, ambientais, culturais e psicossociais. Logo, ao contrário do que se imagina, não depende apenas da força de vontade do sujeito. Entretanto, pessoas que estão acima do peso sofrem diariamente com os estigmas e preconceitos por parte da sociedade, que lhes impõe padrões e associa a isso o estado de bem estar, ligando a obesidade ao descuido. Exemplo disso pode ser observado já dentro das escolas em que alunos acima do peso sofrem bullying e são alvo de piadas e chacotas. Por conseguinte, vítimas do preconceito acabam desenvolvendo problemas com a autoestima, que trazem consequências duradouras no modo como se relacionam consigo e com o mundo.

Em seguida,  surge o apelo mercadológico, reforçando padrões de consumo na busca por vender um corpo ideal e usa isto como sinônimo de saúde, o que contribui para reforçar os estereótipos relacionados aos obesos. Consoante a isso o filósofo Zigmunt Bauman lembra que a subjetividade do sujeito moderno concentra-se em um esforço infinito para se tornar e permanecer uma mercadoria vendável. Dessa forma, pode-se observar um aumento no número de academias, suplementos alimentares, e dietas milagrosas que podem surgir nas redes sociais. Todas essas ferramentas buscam vender um corpo ideal, e os que consomem o fazem na busca de se enquadrar no padrão social.  Em consequência aumenta o numero de pessoas insatisfeitas com seus corpos

Infere-se, portanto, que ainda existem muitos mitos e estigmas relacionados ao sobrepeso e obesidade no Brasil. Sendo assim, faz-se importante que o Estado, através do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da educação, incentive campanhas que abordam hábitos alimentares saudáveis, enfocando as comorbidades relacionadas aos maus hábitos. Essas ações podem acontecer com a comunidade em geral, nas Unidades de Saúde da Família, bem como nas escolas através do Programa de Saúde na Escola, buscando desmistificar o excesso de peso e alimentar a reflexões sobre o corpo saudável, bem como contribuindo para o desenvolvimento do senso crítico dos cidadãos.