Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/09/2019

De acordo com o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios. Essa visão é facilmente observada, no hodierno cenário global, sobre tudo no Brasil, quando analisada a questão do preconceito ao indivíduo que luta contra a obesidade e sobrepeso. Isso ocorre ora pelo padrão de beleza enraizado na sociedade, ora pela falta de apoio do governo na luta pela saúde. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidar esse problema, que assombra a população do século XXI.

Sob esse viés, pontua-se o preconceito enraizado como um empecilho à consolidação de uma solução. Consoante ao filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, a natureza fez o homem feliz e bom , mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. De maneira análoga, a sociedade impõe ao indivíduo um corpo musculoso e trata com repúdio quem não segue esse padrão, usando como arma os ataques gordofóbicos. Isso por que, desde a Grécia Antiga, as esculturas dos deuses, eram feitas sempre com muitos músculos definidos, o que, construiu o modelo de padrão de beleza da sociedade atual. Logo, o indivíduo fica preso a conceitos do passado, levando-o a fazer uso de medicamentos prejudiciais, como os esteroides anabolizantes, para ser aceito pela sociedade.

Do mesmo modo, destaca-se a falta de apoio do governo como um fator limitante para chegar à raiz do problema. De acordo com Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre pessoas de uma sociedade. Contrariamente, projetos de incentivo à vida saudável não encontram espaço político necessário. Esse panorama se evidencia, por exemplo,  quando analisada a questão da falta de locais públicos para fazer exercícios, que, de acordo com o portal de notícias G1, há pouco ou nenhum investimento nos municípios. Dessa forma, o indivíduo não tem muitos locais adequados para realizar às atividades físicas, e os locais que existem não ganham a manutenção adequada, ou seja, se tornam perigosos para a sociedade que precisa de um local seguro para cuidar da saúde e do bem estar..

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse impasse. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que incluam no currículo escolar aulas de socialização, essas aulas vão ensinar a combater preconceitos -podendo ser ministradas por sociólogos e tendo como tema o combate à gordofobia-. Aliado a isso, faz-se necessário a criação de pistas de corrida e praças para ginástica com professores de educação física, dando aula em horários fixos, para que se tenha o incentivo a prática de exercícios e mais pessoas possam realizar treinos juntas . Só assim, os preconceitos enraizados, como citado por Maquiavel, perderam as suas raízes.