Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 25/09/2019

Com o advento da Terceira Revolução Industrial e da Globalização, empresas que antes atuavam apenas nos países de origem instalaram filiais em diversos outros lugares. Muitas dessas transnacionais atuam na rede alimentícia e vendem “fast-foods”, comidas com elevado teor calórico e que podem desencadear quadros de obesidade e de sobrepeso. Além de gerar problemas fisiológicos, o excesso de gordura pode, infelizmente, ser motivo de discriminação para quem o possui.

Em primeiro lugar, é importante destacar as diversas complicações ocasionadas a partir do aumento de peso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a gordura oriunda de uma dieta muito calórica acumula-se nas paredes de artérias e ocasiona o aumento da pressão sanguínea. Ademais, os lipídios, por serem hidrofóbicos, possuem difícil metabolização e ficam armazenados no organismo, o que pode dificultar a realização de tarefas do cotidiano. Dessa forma, percebe-se a necessidade de tratar o tema como pertinente à saúde pública, uma vez que ele prejudica o bem-estar de muitos.

Outrossim, é fundamental analisar o preconceito com que sofrem aqueles que estão acima da massa corporal adequada. Um exemplo disso foi o discurso feito pelo atual chefe do poder executivo do Brasil, Jair Bolsonaro, em que ele mencionou, de forma pejorativa, a obesidade de um quilombola. Esses julgamentos também são retratados em séries; “This is Us” retrata a personagem Kate, que possui quadro adiposidade elevada, e os desafios de conviver em uma sociedade que não aceita sua condição. Visto isso, é imprescindível que soluções sejam encontradas para que o problema seja solucionado.

Além disso, o fenômeno da segregação socioespacial também pode contribuir com o sobrepeso de muitos brasileiros. Isso porque, em grande parte das cidades, a população mais pobre tende a viver em regiões afastadas dos centros urbanos. Dessa forma, muitos cidadãos precisam deslocar-se por mais tempo para ir ao trabalho, não almoçam em casa e costumam aderir a uma dieta pouco equilibrada. Por conseguinte, há uma maior possibilidade de ficarem acima dos índices considerados ideais.

Logo, é evidente a necessidade de modificar essa situação. Primeiramente, é essencial que o Ministério da Saúde, órgão da administração pública vinculado ao poder executivo, capacite e envie equipes multiprofissionais para os domicílios, de modo a possibilitar a orientação acerca da obesidade e do sobrepeso e a auxiliar aqueles que desejam emagrecer. É igualmente importante que  o órgão combata a discriminação contra pessoas que estão acima do peso adequado, mediante veiculação de campanhas na televisão e na internet com o fito de minimizar esses episódios. Assim, os efeitos vindos da globalização serão muito menos negativos.