Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/09/2019

Com a Revolução Industrial, iniciada no século XIII, o mundo passou por inúmeras transformações econômicas e sociais. O sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, define o mundo moderno como um conjunto de relações fluidas e superficiais. Dessa forma, percebe-se que o tempo se tornou algo precioso, o que ocasionou uma mudança nos hábitos alimentares da sociedade e a alimentação passou a ser negligenciada. Como resultado, surgiram diversos casos de adipose e excesso de peso, que se tornaram uns dos maiores desafios da saúde pública brasileira no século XXI. Desse modo, é preciso compreender as motivações do problema, com o objetivo de alterar esse cenário.

Observa-se, em primeira instância, a influência das propagandas na evolução dessa questão. De acordo com Calvin Coolidge, ex - presidente dos Estados Unidos, a publicidade é a vida do negócio. Desse modo, os setores alimentícios fazem uso da mídia para propagar a imagem de seus produtos e ligá-los, principalmente, à ideia de realização pessoal e felicidade. Trata-se de uma estratégia de marketing para, assim, atingir o máximo de pessoas e produzir a vontade de adquiri-los. O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014, reconhece os anúncios como uns dos obstáculos para uma alimentação saudável.

Deve-se abordar, ainda, que existe uma certa falta de compreensão da comunidade acerca da seriedade do assunto. Tendo em vista os elevados índices de indivíduos acima do peso, observa-se que poucos param para pensar a respeito dos riscos de um má nutrição. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde mostram que, cerca de 54% dos brasileiros estão com sobrepeso e 20% dos adultos se encontram em quadro de obesidade. Ademais, existe uma falta de reconhecimento da adiposidade como enfermidade por parte dos mesmos e da indispensabilidade de tratamento, em virtude de ter sido declarada como doença apenas em 2013, pela American Medical Associate.

Infere-se, portanto, que a problemática possui íntima ligação com aspectos sociais. Desse modo, é imperiosa uma ação do Governo, em conjunto com o Conar, que deve, por meio da criação de leis eficientes, realizar uma melhor regulamentação publicitária, além da divulgação dos ingredientes que compõem o alimento publicado e os prejuízos que ocasionam, a fim de reduzir o estímulo aos costumes poucos salutíferos. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, elaborar campanhas através de uma ampla disseminação midiática em ambiente televisivo e em redes sociais, com o intuito de alertar a comunidade sobre a tese e oferecer acompanhamento gratuito com nutricionistas mediante o SUS. Dessa maneira, espera-se diminuir o número de cidadãos obesos no país.