Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 27/09/2019
Recentemente, um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde alarmou a sociedade brasileira ao evidenciar que, a despeito de o sobrepeso estar se tornando uma realidade comum, cerca de 92% dos brasileiros alegaram já ter praticado algum ato de discriminação contra pessoas gordas. Em vista desse fenômeno, percebe-se um embate na saúde pública: por um lado, o Estado deve combater comorbidades associadas à obesidade (o que não significa combater a obesidade de per si); por outro, deve agir no sentido de erradicar a gordofobia, haja vista que esta pode ocasionar enfermidades graves, como transtornos alimentares e depressão. A priori, cabe observar que a obesidade está associada a determinadas doenças crônicas, tais como diabetes melito, hipertensão arterial sistêmica, apneia do sono, síndrome de Pickwick, e mais outras quinze, conforme a Organização Mundial da Saúde. Entretanto, a causa dessas patologias é multifatorial, de modo que não é necessariamente o peso que eleva os riscos de desenvolver esses distúrbios, e sim, mais precisamente, o índice de gordura corporal, de ingestão de nutrientes diversos e de LDL (Low Density Lipoproteins). Destarte, contrariando o senso comum, o peso de um indivíduo não é um indício direto de seu estado de saúde. A posteriori, é mister destacar que as pressões estéticas são fatores de risco notáveis, pois podem condicionar as pessoas a adotarem dietas rigorosamente restritivas e a desenvolverem patologias psicológicas graves. Segundo a youtuber Alexandra Gurgel, por exemplo, o preconceito das pessoas ao seu redor fez com que ela desenvolvesse transtornos alimentares e fosse internada por depressão e tentativa de suicídio. Porém, felizmente, ela se reconheceu e se aprofundou na causa feminista, o que fez com que enxergasse a situação de uma maneira mais assertiva: a partir de então, “bonito” passou a ser sinônimo de “legitimamente saudável”. Consonantemente, seu novo estilo de vida vai ao encontro da filosofia de William Hazlitt, que coloca a ignorância como peça basilar de todo tipo de preconceito e sugere a educação como principal ferramenta para erradicá-los. Diante desse panorama, medidas devem ser tomadas a fim de elevar o a saúde da população e reduzir a gordofobia. Para tanto, é premente que o Ministério da Saúde invista na construção de centros de promoção a práticas saudáveis para os cidadãos, por meio de verbas governamentais. Tais centros devem contar com academias e hortas comunitárias, além de salas voltadas para oficinas e palestras acerca da importância do equilíbrio entre nutrição e atividades físicas - tudo com o objetivo de possibilitar ao máximo a elevação do padrão de saúde da população. Ademais, é premente que esses mesmos centros criem campanhas intrutivas e de conscientização, em pareceria com plataformas midiáticas, com o objetivo de esclarecer aos brasileiros que o vínculo entre aparência e saúde não é direto e que, acima de tudo, o preconceito deve ser evitado em todas as instâncias.