Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 13/10/2019
É indiscutível que a obesidade representa um problema de saúde pública e que precisa de ser combatido, tendo em vista os impactos para o sistema de saúde do Brasil e os efeitos negativos associados ao ganho de peso em excesso, entre eles a diabetes, problemas cardiovasculares e psicológicos. Dessa forma é necessário entender os fatores relacionados a esse problema e os impactos na saúde dos indivíduos com obesidade ou sobrepeso.
Primeiramente, convém destacar que, em decorrência do ritmo desenfreado das grandes cidades, o brasileiro passou por um processo de mudança na alimentação, tendo substituído o tradicional prato do feijão com arroz, pelos lanches rápidos e pouco nutritivos das redes de Fast Foods. Nesse sentido, evidencia-se que a procura por esses tipos de alimentos decorrem, em grande parte, da imposição de padrões de consumo, que visam escravizar o paladar das pessoas. Dessa forma, consumir o famoso refrigerante ou comer hambúrgueres das famosas redes de alimentos são, por si só, condição de sociabilidade, como evidencia Adorno e Horkheim, ao relatar a influência das mídias na vida em sociedade.
Outrossim, evidencia-se o impacto negativo dos hábitos alimentares deletérios na saúde da população brasileira. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 20% da população nacional está obesa, o que significa dizer que muitos desses indivíduos têm ou irão desenvolver doenças relacionados com o sistema cardiovascular, como hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral ou metabólicas, como diabetes. Cumulativamente, o preconceito surge como um entrave a toda essa problemática. Ademais, casos de Gordofobia se tornaram mais frequentes e dificultam o enfrentamento dessa situação ao causarem impactos de ordem social, como o isolamento desses indivíduos e posterior problemas psicológicos. Isso pode ser evidenciado por um recente estudo divulgado pelo Faculdade de Notre Dame, em que pessoas com sobrepeso foram preteridas em relação a indivíduos com o mesmo grau de instrução, mas que estavam com o peso dentro dos padrões ditos normais.
Urge, portanto, que o Estado, por meio da conjugação de esforços do Ministério da Educação, fomentem políticas públicas que visem ao aumento nas transferências de recursos para a Política Nacional de Alimentação Escolar, com o intuito de inserir uma alimentação orgânica desde a tenra idade e, com isso, possibilitem a educação do paladar desses indivíduos. Além disso, o Ministério da Saúde deve direcionar recursos específicos para o combate à obesidade, por meio de projetos que envolvam fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas que esclareçam sobre os impactos da obesidade e trabalhem de forma conjunta com esse público,a fim de dirimir toda essa problemática.