Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/09/2019

Na Idade Média o sinônimo de saúde e qualidade de vida era relacionado, muitas vezes, às pessoas acima do peso, fator esse associado à dificuldade de manter uma alimentação básica pela população durante essa época. No entanto, hodiernamente, é sabido que a obesidade causa grandes problemas à saúde dos indivíduos, principalmente, do público infantil. Sob essa ótica, alguns entraves devem ser levantados para mitigar esse problema, como os hábitos da sociedade moderna e o alto consumo de alimentos ultraprocessados .

Em primeiro lugar, vale destacar o aumento de pessoas obesas na contemporaneidade. Segundo o IBGE, nos últimos 20 anos a obesidade quadruplicou no Brasil, atingindo a marca de 8 milhões de crianças. Nesse sentido, nota-se que esse crescimento é atrelado aos novos hábitos das famílias em geral, o que reflete no comportamento das pessoas, como a baixa prática de atividades físicas, o uso exagerado de televisão e celulares. Além disso, o ritmo acelerado do trabalho intensifica esse problema, haja vista a falta de tempo para um almoço em família, o que contribui para o uso cada vez maior de alimentos de rápido preparo, destacando-se os ‘fast-foods’ e ultraprocessados.

Por conseguinte, ressalta-se o excesso no consumo de utlraprocessados no Brasil. De acordo com a rede “Food Network”, houve um acréscimo de 20% no uso desses alimentos. Nesse panorama, o uso indiscriminado desses produtos contribui para o aumento de peso , tendo em conta a alta concentração de sal, açúcares e realçadores de sabor que, devido a sua grande quantidade, torna-se tóxico ao organismo. Dessa forma, esses alimentos são condicionados a serem mais saborosos, o que ’escraviza’ o paladar principalmente de crianças, que se acostuma a se alimentar com esse tipo de refeição e, assim, rejeitar os alimentos naturais saudáveis, os quais não possuem a mesma atratividade no sabor.

Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção dos poderes públicos e da sociedade civil. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a “Associação Childhood Brasil”, promover o mês de Janeiro, como o “Mês Contra a Obesidade”, intensificando nesse mês palestras e reuniões nas escolas e praças públicas com os pais e filhos. Para que, dessa forma, possa alertá-los sobre como fazer uma alimentação saudável e ensinar diversas atividades físicas de fácil execução para serem praticadas regularmente, com o intuito de que mudem o hábito antigo. Por fim, cabe a Agência de Vigilância Sanitária, em parceria com nutricionistas especialistas em alimentação infantil, fiscalizar as indústrias alimentícias e decretar, por lei, um limite seguro de sais e açúcares nos alimentos ultraprocessados.Com isso, sinônimo de saúde  passara a ser uma alimentação saudável.