Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 22/10/2019
É incontrovertível que a cultura alimentar brasileira foi influenciada pelo processo de globalização. Nesse contexto, a ascendência de restaurantes ‘‘fast-food’’ foi impulsionada devido às preferências da sociedade contemporânea: as praticidades. Contudo, a alimentação irregular oferecida por esses estabelecimentos torna os cidadãos suscetíveis à obesidade e ao sobrepreso, o que gera problemas de saúde e preconceitos.
Primeiramente, vale ressaltar que a busca por um gasto menor de tempo desde a industrialização está intrínseca ao homem e não se exclui à alimentação, posto que o rápido tornou-se melhor com a mudança das relações de trabalho. Nesse viés, os ‘‘fast foods’’ ganham força no Brasil em virtude de questões socioculturais. Não obstante, o problema está no disfarce dos produtos industrializados, que são dotados de substâncias maléficas à saúde, como o alto teor de açúcar e sódio. Assim, o consumo em excesso reduz a expectativa de vida, haja vista que a obesidade aumenta o desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes e colesterol alto.
Ademais, o meio midiático na sociedade brasileira exerce papel fundamental na disseminação de padrões alimentícios errôneos, já que basta entrar em alguma rede social para que o sujeito seja bombardeado de propagandas que incentivam o consumo desse alimento. Nessa perspectiva, há a espetacularização dessas refeições, pois de acordo com Guy Debord, em sua obra ‘’Sociedade do espetáculo’’, a imagem é supervalorizada nas relações sociais. Aliado a isso, os transtornos psicológicos e alimentares também ganham destaque no sobrepeso e na obesidade por causa dos padrões de beleza restritivos e preconceitos, que promovem a discriminação dessa condição no aspecto estético.
Depreende-se, portanto, que a obesidade reduz a expectativa de vida no Brasil e intensifica o desenvolvimento de transtornos. Nesse sentido, urge que a mídia adverta mensalmente as consequências da ingestão desacautelada de alimentos industrializados por meio de telejornais ou redes sociais a fim de atingir um alto número de pessoas. Além disso, as instituições educacionais públicas e privadas, juntamente com nutrólogos, têm que investir em aulas de reeducação alimentar a partir da infância. Essa ação tem o fito de evitar que os jovens tornem-se adultos com sobrepeso e deve ser realizada mediante a exposição das doenças provindas da obesidade. Desse modo, os brasileiros podem escolher a saúde em detrimento à praticidade.