Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/09/2019

No filme ‘‘Vingadores: Ultimato’’, o super-herói Thor apareceu diferente de como era representado no universo cinematográfico. O personagem, após presenciar um desastre, passou por um processo de luto, o qual culminou em alguém isolado, deprimido e com sobrepeso. Apesar de fictício, tal contexto se aproxima do elevado índice de obesidade na atualidade, que se dá não só por fatores culturais, como também por falhas na educação alimentar. Assim, faz-se necessário desconstruir esses obstáculos, a fim de proporcionar, de fato, saúde aos brasileiros.

Em primeira análise, essa condição recai sobre o estilo de vida imediatista. Isso porque ao adentrar no modo acelerado que conduz a sociedade, o indivíduo tende a incorporar hábitos menos saudáveis, ao optar por refeições rápidas em seu cotidiano. Tal fato se relaciona com dados do Instituto Datafolha, o qual demonstrou que 56% dos casos de obesidade se iniciam quando o jovem ingressa no mercado de trabalho. Dessa forma, nota-se que quando a saúde deixa de ser prioridade por parte considerável da coletividade, essa temática se torna um problema de ordem social, uma vez que pode gerar doenças doenças crônicas e , consequentemente, contribui com a demanda do sistema de saúde público.

Ademais, outro atenuante se dá no âmbito educacional. Segundo o filósofo John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, de modo que as experiências por ele vividas moldam a sua consciência crítica. Nesse sentido, é perceptível como a educação pode gerar impactos na alimentação,  ao fomentar iniciativas saudáveis já na escola, já que esse ambiente acompanha as diversas fases do desenvolvimento da criança. Outrossim, a forma como a temática é abordada nas instituições de ensino contribui para a propagação do preconceito, a exemplo do que ocorreu em uma escola de São José dos Campos - foi distribuída uma cartilha com uma história em quadrinhos , na qual personagens acima do peso se compararam a um botijão e tinham medo de se olhar no espelho. Logo, é imprescindível avaliar as influências tanto positivas quanto negativas da educação nessa conjuntura.

Infere-se, portanto, que o aumento da obesidade no Brasil reflete as lacunas das políticas preventivas. Para modificar essa realidade, é substancial que o universo educacional inicie hábitos alimentares saudáveis, através de projetos lúdicos que envolvam várias disciplinas, em parceria com as famílias dos alunos, no intuito de aculturar as crianças a uma alimentação benéfica nos primeiros anos de vida. É fundamental, ainda, que o Ministério da Saúde propague guias alimentares, mediante propagandas e campanhas, com o fito de conscientizar a população acerca do tema. Dessa maneira, torna-se-á possível oferecer apoio a inúmeros indivíduos que se encontram na mesma situação que o personagem Thor.