Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 28/09/2019
Em meados do século passado o escritor austríaco Stefan Zweig, encantado com o Brasil escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: ´´Brasil, país do futuro.`` Ao analisar o crescente número de indivíduos obesos e acima do peso na sociedade contemporânea brasileira, percebe-se, entretanto, que a profecia de Zweig não saiu do papel, visto que a obesidade e o sobrepeso são problemas de carácter destrutivo, e, ainda corrobora para a existência de males escatológicos contra o indivíduo: o preconceito e a discriminação.
Em primeira análise, é válido ressaltar a obesidade e o excesso de peso como impasses de saúde advindos de questões divergentes como fatores hormonais e genéticos. No entanto, é notório, que parcela substancial da população canarinha que excede o peso apresenta o imbróglio devido o abuso de alimentos não saudáveis, contribuindo, assim, para o surgimento de doenças como diabetes e hipertensão. Diante disso, sabendo que o peso acima do que é considerável saudável afeta mais da metade da população brasileira, torna-se uma questão pública de saúde. Nesse sentido, urge, uma maior atenção estatal, já que, é dever do Estado zelar pelo bem estar social como defende a Constituição Federal de 1988.
Sob outro ângulo, é evidente que o Brasil possui uma cultura gordofóbica, na qual, estar acima do peso é motivo para ser vítima de preconceito e discriminação em áreas de convívio social e familiar. Desse modo, os indivíduos que estão acima do peso se sentem inaceitáveis e acabam desenvolvendo transtornos psicológicos como depressão e ansiedade. Surge, com isso, a latente necessidade da tomada de medidas para a erradicação dos obstáculos supracitados, pois, conforme o físico Isaac Newton um corpo tende a permanecer em seu estado inicial até que uma força atue sobre ele.
Diante o exposto, é indispensável, portanto, que o Congresso Nacional , mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, disponibilize mais recursos para o Ministério da Saúde, no qual, formulará campanhas, palestras e cursos gratuitos em escolas e nas mídias sociais e televisivas em geral, com o fito de ajudar os cidadãos a se alimentarem de modo saudável. Paralelamente, tais ações devem ser dirigidas por especialistas da área —- nutricionistas, educadores físicos e psicólogos—, afim de fornecer apoio aos indivíduos que apresentam-se com obesidade ou sobrepeso. Feito isso, o Brasil poder-se-á chegar a ser um país de futuro como idealizou Stefan Zweig.