Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 28/09/2019
Durante a Idade Média, as pessoas acima do peso eram vistas como bem alimentadas e saudáveis, porém, na atualidade, sabe-se que a obesidade não é sinônimo de vida com qualidade e tal problema leva a preconceitos contra as pessoas obesas. Nesse sentido, a sociedade industrializada e imediatista que estimula, através das mídias, o consumo de alimentos pouco saudáveis é a mesma que pratica a gordofobia. E, para entender isso, é necessário analisar a influência da era industrial e como o poder de manipulação da mídia é grande na construção da ideia por trás da obesidade.
Nesse contexto, o capitalismo promoveu a industrialização em massa e a oferta de produtos alimentícios industrializados ganhou espaço em um momento em que grande parte dos trabalhadores não tinham tempo para cuidar da alimentação própria e da família. Assim, de acordo com o conceito de “Sociedade do Consumo” de Zygmunt Bauman, filósofo, as pessoas se tornaram imediatistas por privilegiarem a rapidez e a praticidade de alimentos carentes de nutrientes em detrimento da qualidade dos mesmos. Como consequência, dados estatísticos demonstram que a obesidade atinge quase 20% da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde. Tal índice deixa claro o quanto a cultura da má alimentação é comum e a paráfrase de uma célebre frase do médico Hipócrates é válida para explicar tal cultura: os alimentos estão deixando de serem remédios para se tornarem vias de doenças.
Ademais, o impacto dos meios de comunicação no problema da obesidade é contraditório. Nessa perspectiva, as indústrias alimentícias se utilizam das mídias para fazer valer suas estratégias de persuasão propagandísticas a fim de vender seus alimentos industrializados. Porém, tais indivíduos ,vítimas de tal sociedade do consumo, também passam a sofrer por suas escolhas alimentícias pelos mesmos veículos propagandísticos ao estimularem padrões estéticos de corpo perfeito e a gordofobia. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública, 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de preconceito contra gordos. Isso demonstra que a repulsa contra gordos é comum e isso advém da influência dos meios de comunicação que vendem os produtos que estimulam a obesidade e, ao mesmo tempo, condenam tais corpos que não se encaixam no padrão de corpo perfeito imposto pela sociedade.
Portanto, para atenuar tal problema da obesidade é necessário que deixe de ser visto com preconceito e passe a ser encarado como questão de saúde. O Ministério da Saúde deve promover palestras sobre dietas saudáveis e estratégias para uma reeducação alimentar nas escolas, centros culturais e universidades com o acompanhamento de nutricionistas e nutrólogas. Tal medida objetiva promover um conhecimento sobre a importância de ter uma alimentação saudável em um âmbito social cada vez mais refém da obesidade de modo a proporcionar uma experiência consciente e crítica a respeito dos hábitos alimentares e suas implicações na vida a longo prazo. Só assim, então, a obesidade será um problema atenuado e não será mais visto com preconceito e descaso.