Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 03/10/2019
A transição do sobrepeso de uma simples anomalia estatística, em que os afetados eram poucos, para uma endêmia social, que afeta metade da população brasileira, sucita uma reavaliação tanto das políticas públicas voltadas para o assunto quanto da postura que o brasileiro deve tomar diante dessa problemática. Mais do que antes, é necessário garantir o acesso à boa alimentação e suprimir o discurso gordofóbico.
Com o aceleração da globalização, o Brasil passou a integrar cada vez mais o papel de mercado consumidor na economia global. Uma consequência é o grande influxo de empresas do ramo alimentício, que buscam conquistar o consumir brasileiro através da venda de alimentos altamente industrializados e baratos. Essa mudança no hábitos alimentares denomina-se transição alimentar, estudada pelo pesquisador estadunidense Barry Popkin, que relacionou a urbanização à mudança do perfil nutricional de uma população, observando também o aumento do sobrepreso sistêmico.
Paradoxalmente, aumenta também a força do discurso gordofóbico, que busca responsabilizar o indíviduo por um fenômeno essencialmente social. Essa postura, no entanto, é danosa sob o ponto de vista social, pois se relaciona com o aumento dos casos de obesidade. Um estudo conduzido por 4 universidades americanas, em 2018, concluiu que o estigma social da obesidade, de fato, contribui para o aumento das taxas de sobrepeso. Evidentemente, o discurso gordofóbico contribui para a manutenção dessa questão no Brasil.
Desse modo, fica clara a necessidade de garantir o acesso à alimentação adequada, a fim de suprimir os efeitos danosos da transição alimentar. Para tanto, se faz necessário a criação de “bancos alimentares”, financiados pelo Ministério da Cidadania, cujo objetivo é fornecer alimentos livres de custo para a população mais pobre, por meio de cupons por trabalho e presença escolar. Assim, será possível reverter a prevalência do sobrepeso.