Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 02/10/2019

O documentário “A pílula mágica”, produzido pelo serviço de streaming Netflix, demonstra a precariedade dos hábitos alimentares, visto que estes comprometem o bem-estar popular. É diante desse contexto que o debate acerca da obesidade torna-se recorrente, tendo em vista que, no Brasil, a problemática abrange questões que superam aspectos saudáveis. Esse cenário advém da crise nutricional contemporânea, pois, à medida que há o descaso com a alimentação, casos de sobrepeso tornam-se frequentes. Sendo assim, a lógica cultural do consumo, aliada ao comprometimento da estabilidade mental, são os principais alvos a serem superados em âmbitos da saúde e do preconceito.

Em primeiro lugar, os valores consumistas regem um panorama de culto a má alimentação, que, por sua vez, incita a cultura do sobrepeso. Segundo Foucault, os corpos são moldados de acordo com o meio em que estão inseridos. É analogamente ao exposto que, com dinamismo cotidiano, a influência de redes de fast-food sobre alimentação tornou-se constante, visto que o oferecimento de comidas acessíveis e rápidas em detrimento nutricional passou a ser valorizado diante da fugacidade diária. Ou seja, é comum que o estilo de vida hodierno propicie o consumo de suprimentos de alto valor calórico, pois a alimentação precária é uma consequência dos padrões sociais.

Em segunda instância, frente aos valores alimentícios atuais, o abalo da saúde mental, provida de preconceitos, é o principal efeito da problemática. Na perspectiva de Bela Gil, nutricionista e Chef renomada, a alimentação muda a vida de pessoas à medida que abrange desde aspectos saudáveis a questões psicossociais. É diante disso que o cenário de intolerância para com indivíduos acima do peso instiga o desenvolvimento de distúrbios alimentares, já que a segregação destes gera problemas como bulimia e anorexia, na tentativa de aceitação social. Evidentemente, é fato que haja o comprometimento da saúde mental de tais pessoas, uma vez que o preconceito em cima do sobrepeso rege um panorama de exclusão.

Em suma, evidencia-se que a deficiência de atenção com aspecto alimentares é o cerne dos efeitos da crise nutricional. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por intermédio dos Ministérios da Educação e da Saúde, criar o projeto “Nutrição Social”. Nele, deve haver, mediante criação de zonas de abastecimento, o fornecimento de suprimentos em locais públicos, a fim de estimular a acessibilidade de alimentos saudáveis. Ademais, o mesmo, por meio de trabalho sociais, irá inserir o acompanhamento profissional de psicólogos e nutricionistas, com o intuito de oferecer a orientação devida acerca de tratamentos alimentares e mentais. Dessa forma, combater a obesidade, e, quem sabe, conhecer a “pílula mágica” que pode modificar o atual cenário nutricional.