Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 29/09/2019

Com a chegada do Iluminismo, as pinturas da época passaram a valorizar o corpo feminino com aspectos fisionômicos mais “cheios”, representando uma concepção saudável do corpo humano (belo). Contudo, esses traços da pintura mudaram seu significado negativamente em meio a sociedade brasileira atual. A obesidade e o excesso de peso passou a ser interpretado pela medicina como um mal hábito sedentário da população. Paralelamente, a imagem das pessoas gordas também passaram a ser injustamente descriminada pelas midias de comunicação. Levando esses fatos em consideração, urge a necessidade de discutir tais questões.

Em primeiro ponto é necessário entender que o excesso de peso do brasileiro é um problema cultural advindo do cotidiano da população. A macrocefalia urbana das grandes capitais brasileiras teve um forte impacto no dia-a-dia dessas pessoas e acabaram impedindo-os de cuidarem da própria saúde. Drauzio Varella em seu canal no Youtube, aponta que para se viver saudavelmente, é necessária a prática semanal de exercícios e de uma boa alimentação saudável. Contudo, uma pesquisa realizada pela CET de São Paulo, aponta que os paulistanos passam em média um dia no trânsito a cada dois dias trabalhados. Com essas informações, se torna evidente que o tempo que seria destinado a cuidar da própria saúde é limitado, resultando na busca de soluções como os chamados “fast food” (comidas rápidas) para suprir as necessidades de rapidez em meio aos agitados centros urbanos.

Outro problema relacionado ao excesso de peso, são os interesses midiáticos em promover padrões de beleza para vender produtos ligados à aceitação social. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de bariátricas vêm aumentando nos últimos anos. Reflexo muitas vezes de preocupações estéticas para tentar encaixar em padrões divulgados a todo momento pelas midias de comunicação. Esse excesso de troca de informações visuais atrelados a uma concepção idealizada do “corpo perfeito” podem ter efeitos psicológicos negativos e levar até mesmo a depressão, evidente na pesquisa da OMS sobre o Instagram (rede social de fotos), contribuir para a baixa auto-estima de meninas de 14 a 20 anos. Com isso, é evidente que a arte iluminista se tornou a depressão capitalista.

Com os dados apontados ao longo do texto, urge a necessidade de criar um senso de auto-cuidado físico e psicológico no brasileiro. Para isso, cabe ao Governo Federal, criar campanhas atreladas ao SUS sobre obesidade e excesso de peso, juntamente com atendimento social psicológico para essa população, por meio de feiras e eventos nas cidades. Desta forma, alertará a população sobre os males do sedentarismo e auxiliará jovens com sobrepeso a construírem uma auto-estima mais sólida e saudável. Assim, teremos uma concepção racional sobre a arte e a beleza do corpo humano.