Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 22/10/2019

A arte renascentista desenvolvida no período de transição entre as Idades Média e Moderna, retrata em quadros e esculturas padrões femininos de beleza bem diferentes dos atuais. Mulheres voluptuosas eram vistas, na época, como sinônimos de fartura e riqueza, uma vez que o acesso ao alimento não era fácil. Hoje, entretanto, o socialmente adequado é ser magro e esbelto, e pessoas obesas ou com sobrepeso são vítimas de preconceito. Além disso, com o avanço da ciência, sabe-se que o agravante do excesso de peso está associado a diversas doenças metabólicas e cardiovasculares. Desse modo, torna-se necessário analisar a questão social dos indivíduos acima do peso, uma vez que o preconceito e a exclusão dessas pessoas têm crescido, bem como o problema do aumento de casos de obesidade da população, que se configura em um assunto de saúde pública.

Em primeiro lugar, há uma pressão social incentivada por mídias e impulsionada pelas redes sociais, de que o corpo magro é o mais bonito e socialmente aceito. Impedir de alimentar-se mais do que o adequado, entretanto, vai além apenas da força de vontade de cada um. A obesidade pode estar associada a diversos fatores genéticos ou distúrbios hormonais, e o comer compulsivo é, por vezes, sintoma de doenças como ansiedade extrema e depressão. Entretanto, a gordofobia é praticada em filmes, nas escolas, nas famílias e, na maioria das vezes, ligada à veia cômica, fazendo com que se pareça normal e engraçado humilhar um obeso.

Ademais, dados do Ministério da Saúde mostram que quase 20% da população brasileira está obesa e, entre as doenças que mais matam no Brasil, estão as cardiovasculares, como infarto e diabetes, associadas comumente ao excesso de peso. A Universidade de Cambridge, na Inglaterra, realizou um estudo no qual a obesidade aumentou o risco de infarto em 28% dos pacientes. A busca por alimentos industrializados e mais rápidos de preparo associada à falta de atividade física são também problemas de uma grande realidade da população que não tem tempo hábil para praticar todas as tarefas do dia, já que o deslocamento, trânsito e trabalho, consomem grande parte do tempo.

Dessa forma, a fim de ajudar no combate à obesidade, é necessário um trabalho preventivo em conjunto entre os Ministérios da Saúde e da Educação, por meio da instituição de projetos na grade curricular escolar sobre educação alimentar, conscientizando sobre a importância que uma boa alimentação tem na qualidade de vida, bem como o incentivo à prática de esportes e o exercício da atividade física contínua. O trabalho de prevenção minimiza gastos nos cofres públicos com o tratamento de doenças decorrentes do excesso de peso, além de proporcionar às pessoas uma vida mais plena, longa e saudável.