Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 17/10/2019

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reivindicou, em 2017, a sobretaxa dos refrigerantes, e pressupôs, em sua política, a problemática da má alimentação no mundo. Diante do quadro, é possível observar, segundo dados do órgão supracitado, que pelo menos 60% da população encontra-se acima do peso ou obesa, sendo o último apresentado como situação pandêmica. Contudo, a questão da obesidade no Brasil é, ainda, alvo de deficientes políticas no setor de saúde, que são acentuadas por transtornos psicológicos nos indivíduos, causados pelo processo de discriminação.

Sob a ótica de Aristóteles, o corpo é o enobrecimento da alma, e interliga a saúde e o bem estar do homem. No entanto, de maneira antagônica ao pensamento do filósofo antigo, as doenças relacionadas à alimentação, estão fadadas à prévia trivialização em relação ao riscos oferecidos por elas. Isso porque, o setor de saúde brasileiro, demonstra uma arraigada ineficiência nas políticas de prevenção e tratamento de pessoas obesas. Nesse sentido, é valido ressaltar que a questão do peso é associada, em muitos casos, apenas à fuga aos padrões estéticos, e, dessa forma, inviabilizam a implementação de cuidados adequados em hospitais públicos. Com isso, a inadequação alimentar demonstra-se uma deficiência estatal e individual na percepção dos perigos da doença em questão.

Ademais, há de se ressaltar que a gordofobia é uma vigente propulsora dos distúrbios alimentares no cenário nacional. A saber, a obesidade está associada, majoritariamente, a transtornos de ansiedade e depressão e, diante dessa condição, o meio social, reverbera os danos causados pelo comportamento intolerante. Assim, a situação de fragilidade dos indivíduos acabar por ser exponencializada diante do preconceito e negação da comunidade em que vivem, visto que, semelhante aos recém-nascidos de Esparta - cujos desvios dos padrões estabelecidos pelos cidadãos lhes causava a morte - a rejeição social os infere a picos de ansiedade e depressão, levando, inclusive, ao suicídio. Dessarte, não é complexo associar que o preconceito é, também, precursor do agravante no país.

Impende, pois, a atenuação dos problemas relacionados à obesidade no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, implementar, em hospitais e postos de saúde, endocrinologistas, nutricionistas e demais profissionais do setor, para o acompanhamento de populações regionais, com o fito de atenuar o potencial obituário da doença nos pacientes e incentivar a reeducação alimentar. Além disso, o ministério referido, unido ao MEC, deve promover, em escolar e faculdades, palestras e atividades lúdicas com alunos, a fim de promover no meio educacional a inserção da diversidade física e do papel de cada um na sua comunidade, para que, contrário à Esparta, todos possam ser aceitos em sua comunidade e gozar de uma total participação nessa.