Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Na Idade Média, a gula era um dos 7 pecados capitais e ser gordo era uma demonstração do fracasso moral. Apesar do cenário atual ser distante no quesito temporal, a obesidade ainda é vista de forma depreciativa devido à supervalorização do corpo ideal divulgado pela mídia, fato que causa uma série de problemas para as vítimas desse preconceito.

Em primeira análise, os anúncios publicitários e a infraestrutura de serviços são projetados para atender as demandas de pessoas com um porte físico socialmente aceito. Nesse sentido, indivíduos que possuem sobrepeso sofrem diariamente com a exclusão e com julgamentos de quem possui uma ideia fixa de que estar nessas condições é um sinal de preguiça ou fraqueza. No entanto, existem diversos fatores que explicam a obesidade, como a predisposição genética, porém, a sociedade ignora as evidências e é movida pela ignorância.

Consequentemente, devido à pressão social exercida por pessoas que condenam a obesidade, muitos indivíduos recorrem a métodos ineficazes e prejudiciais para perder peso rapidamente. Um estudo feito pela Universidade da Pensilvânia revelou que ofensas corporais aumentam o risco de morte precoce em quem luta contra o excesso de peso. Dessa forma, doenças como anorexia e bulimia são desenvolvidas facilmente, circunstâncias que colocam em risco o único fator que realmente importa, a saúde.

Em síntese, há um entrave entre o preconceito e a manutenção da saúde de quem sofre de sobrepeso. Portanto, o Poder Legislativo pode criar uma lei federal que tipifique tais prejulgamentos como crime, por meio de sites e telefones para denúncias com abrangência regional, a fim de proporcionar um mecanismo legal de defesa. Além disso, a escola, como agente educador, deve incentivar o respeito e a aceitação desde os primeiros anos dos indivíduos, para assim criar um ambiente em que os obesos não tenham medo de se expor livremente.