Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/10/2019
O filme ‘‘Preciosa: uma história de esperança’’, do produtor Lee Daniels, relata o drama vivido por uma jovem negra e obesa, que além de ser vítima de abusos sexuais, sofre com a gordofobia e com o racismo em diversos âmbitos de sua vida. Fora da ficção, a obesidade se configura como um dos maiores problemas de saúde pública nas sociedades contemporâneas, pelo fato de potencializar a ocorrência de diversas outras doenças, sobretudo as de ordem cardiovascular. E concomitantemente, tem se tornado um grande alvo de intolerância por parte de algumas maiorias, que se utilizam do tamanho do manequim como palco de suas ofensas. Em virtude disso, é necessário analisar a obesidade sob o viés da saúde e do preconceito, e posteriormente, elaborar políticas públicas que amenizem essa dicotomia.
Desde o surgimento dos alimentos industrializados, ainda na Revolução Industrial, as empresas alimentícias fazem o uso de pesquisas para detectar os ingredientes que mais causam vício alimentar nos consumidores, como o açúcar, sódio e gordura, que em excesso, podem ser comparados a efeitos de drogas no cerébro. Com isso, esses produtos acabam por fazer parte do cardápio de muitos brasileiros, que juntamente com hábitos de vida sedentários, entram no grupo dos mais de 40 milhões de obesos do país. Some-se a isso, a saúde dos cidadãos, que deveria ser estimulada pelos órgãos públicos, assim como previsto no artigo 196 da Constituição, é cada vez mais negligenciada, com falta de campanhas que estimulem hábitos de vida saudáveis.
Além disso, segundo uma pesquisa relizada pelo IBOPE, a gordofobia está presente na vida de 92% dos brasileiros. Esse dado demonstra a outra perspectiva da obesidade, que atinge também a esfera da vida social dos obesos , que são discriminados por estarem fora do padrão de beleza contemporâneo, sofrendo inclusive com a rejeição em vagas de emprego por essa condição física. Ainda, a intolerância a esse grupo, pode inclusive acirrar a ocorrência de depressão e ansiedade, e essas, por conseguinte, acirrar transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.
Portanto, é mister que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, promova comerciais televisivos, em horários de maior visibilidade, que incentivem práticas saudáveis de alimentação e exercícios físicos entre a população, de forma a explicar os riscos do sedentarismo para a saúde humana. Junto a esse mesmo comercial, deve-se destacar a importância do combate à gordofobia, e representatividade dos gordos, de modo a diversificar aquilo que é considerado belo em nossa sociedade. Dessa forma, poder-se-á diminuir a ocorrência de obesidade no Brasil, e simultaneamente, garantir o respeito a todos os cidadãos brasileiros.