Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/10/2019
A má alimentação, a falta de exercícios físicos ou a predisposição genética são os principais fatores quando o assunto é obesidade, sendo esses dois primeiros o reflexo de uma infância mal cuidada tanto no âmbito alimentar quanto no familiar. Inegavelmente a obesidade é um ponto fora da curva dos padrões estéticos sociais estabelecidos, e indivíduos que não cabem nesses padrões estão à mercê de um preconceito conhecido como gordofobia.
Primeiramente, é preciso entender que obesidade é quando o sobrepeso torna-se nocivo à saúde. Por isso, o grande problema do sobrepeso não é a condição em si, mas sim o preconceito em torno dele. Estar sendo discriminado pode tornar o patológico o sobrepeso e aumentar o índice de obesos em um país por causa do estresse psicológico e à pressão social que podem os levar os indivíduos à depressão e ao desenvolvimento de distúrbios alimentares. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e estatística (IBGE), cerca de 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de gordofobia. Por isso, não se pode descartar a hipótese da relação da preconceito com o aumento de obesos no país, cujo índice no Brasil aumentou 110% nos últimos 10 anos.
Outro ponto a saber é o de que o alicerce do fascismo é a normatização da destinação do ódio a algum grupo minoritário, e por isso, a gordofobia ou qualquer tipo de preconceito é inadmissível em qualquer que seja o contexto histórico, social e cultural.
Em uma última análise, é de fundamental importância a integração e socialização de pessoas acima do peso à sociedade - e na infância, principalmente. Um exemplo prático são os jogos eletrônicos que envolvam atividades físicas. À exemplo disso, o jogo “Just Dance”, um jogo de dança que permite até quatro pessoas jogarem simultaneamente. Dessa forma, a convivência com o diferente afasta o preconceito ao mesmo tempo em que estimula a saúde e o bem estar social.
Como diz o ditado popular: “é mais fácil mudar de religião do que de dieta”. Essa máxima evidencia a necessidade da educação alimentar começar na infância, e por isso cabe ao Ministério da Saúde e o Ministério da Educação investir em uma alimentação de qualidade no ensino básico e no ensino fundamental, bem como incentivar a prática de atividades físicas por meio de propagandas para reverter concepção de que fazer esforço é algo ruim e negativo. Entretanto, é preciso de antemão combater primeiramente a gordofobia, e o meio digital é melhor maneira de se fazer isso com a discussão do tema por influenciadores digitais em plataformas como o YouTube ou em redes sociais como o Twitter e o Facebook. Dessa forma, será possível transformar uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária.