Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Na Idade da Pedra Lascada as mulheres acima do peso eram vistas como sinônimos de fertilidade e saúde. No entanto, a partir do século XIX, ocorre uma total inversão desse juízo de valor, tornando o estereótipo magro o mais valorizado na sociedade e o gordo sendo segregado. Atualmente, no Brasil, a presença do embate entre saúde e preconceito a obesidade são problemas que devem ser observados no âmbito individual e socioeducacional.

Com o advento do capitalismo em todas as esferas sociais, o indivíduo passou a valorizar o imediatismo. O tempo tornou-se um fator determinante na população, assim, as empresas de “fast food” e de comidas ultraprocessadas possuem um grande mercado consumidor, pois para o cliente a rapidez prevalece sobre o valor nutricional dos alimentos. Assim, a obtenção de uma alimentação saudável aliada com exercícios físicos é banalizada, tornando o sobrepeso e suas consequências, como diabetes e doenças cardíacas, uma característica presente em boa parte da população brasileira.

É válido destacar também o avanço da ‘ditadura de beleza’ e suas graves consequências. O novo padrão estético da sociedade adotou o magro como sinônimo de saudável, já o gordo é visto como feio é preguiçoso. Esse juízo de valor não possui nenhuma base científica, uma vez que, pessoas abaixo de peso também são propensas a doenças. Com tal visão equivocada, os jovens, cujo índice de obesidade cresceu 110% nos últimos anos segundo a Vigitel, ficam expostos a praticantes ou alvo do bullying. Assim, ao invés de procurar um tratamento adequado, muitos recorrem a medicamentos para emagrecer, que claramente não são saudáveis ao indivíduo.

Fica claro, portanto, que o sobrepeso e suas consequências é uma realidade que deve ser tratada de maneira correta. É necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o poder Legislativo, promova a criação de uma lei que exija a apresentação dos dados nutricionais das embalagens dos alimentos de maneira mais clara para o consumidor, no intuito de mostrar os benefícios e malefícios de seu consumo. Cabe a escola proporcionar palestras para pais e alunos com nutricionistas e psicólogos para demonstrar a necessidade de uma alimentação saudável para crianças e adultos, e como evitar as práticas e consequências que o bullying pode gerar a toda a sociedade. Quem sabe, assim, será possível construir um país com menos preconceito e mais saúde.