Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 02/10/2019

A Constituição Federal, de 1988, prevê a todo cidadão o direito à saúde e ao bem-estar social. No Brasil, entretanto, o aumento nos casos de pessoas com obesidade ou sobrepeso, associado ao preconceito sofrido por esses indivíduos, são problemáticas de enorme relevância que estão presentes, infelizmente, na realidade contemporânea. Sob esse aspecto, é imprescindível a discussão acerca de possíveis medidas para atenuar tais impasses.

Mormente, o excesso de peso, muitas vezes relacionado à ampliação da gordura corporal, é algo que afeta, diretamente, a integridade física do indivíduo. De acordo com pesquisa realizada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico -Vigitel-, mais de 50% da população brasileira está acima do peso e corre risco de desenvolver diversas outras doenças, como diabetes, problemas cardíacos e, até mesmo, alguns tipos de câncer. Nesse sentido, é inadmissível que um governo, cobrador de uma alta taxa de impostos, permaneça inerte perante essa situação.

Em segunda análise, o preconceito desferido às pessoas com peso elevado é um fator impulsionante desse entrave. Visto que, grande parte da comunidade não tem conhecimento das diferentes causas referente à obesidade, que pode ser hormonal, alimentar ou psicológica, e tratam essa enfermidade de forma equivocada, o que confirma o ideal defendido pelo físico alemão do século XX, Albert Einstein, “É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito”. Por isso, é inaceitável que uma nação, dita democrática, não garanta o bem de todos.

Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas se torne medida prática, é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, o Ministério da Saúde deve reduzir os índices de obesidade e sobrepeso no Brasil, por meio de campanhas socioeducativas, realizadas em escolas e praças públicas, nos fins de semana, com assistência médica e nutricional, visando ao acompanhamento dos pacientes. Ademais, o Ministério da Educação precisa informar, de maneira eficaz, a população sobre as dificuldades causadas pelo aumento de peso e da importância de respeitar aqueles que o tem. Com isso, a sociedade brasileira será mais humanizada, saudável e amenizará o preconceito existente.