Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 02/11/2019

Na série “ Insatiable” da Netflix, é retratado no primeiro episódio o bullying que Patty sofre de outros alunos da escola, por causa de seu peso. Nesse panorama, resta dizer que o mundo atual impôs um estilo de vida, vestimenta, corpo e classe social, para ser aceita como “normal” por todos. Entretanto, o artigo II da Declaração Universal dos Direitos Humanos garante que toda pessoa sem distinção de qualquer espécie tem capacidade de gozar os direitos e liberdades na mesma. Nesse sentido, o que pode ser visto como resultado é um preconceito instalado na população, mas também o aparecimento de doenças crônicas em pessoas com obesidade e sobrepeso.

Em primeiro lugar, é notória a dificuldade que há no homem em aceitar o diferente, principalmente ao se tratar de uma questão como a aparência, que é a porta de entrada para a socialização. Prova disso é a presença da não aceitação em grupos sociais de pessoas diferentes do padrão de beleza que foi colocado na população, por meio da mídia e das redes sociais que mostram a idealização de um corpo perfeito e inalcançável para o público comum. Também se pode comprovar a existência do preconceito com o fato de mais de 90% da população brasileira ter visto ou praticado gordofobia na escola, no trabalho, na rua e na internet, segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Desse modo, nota-se que a intolerância não se restringe a um grupo especifico e é, de certa forma, natural do ser humano, o que, porém, não significa que não pode e não deve ser combatida.

Além da intolerância inerente ao homem, há outros fatores que intensificam essa temática. No cenário brasileiro, 18,9% da população sofre de obesidade e 54% com o sobrepeso, dados do Ministério da Saúde (MS). Também se nota que uma a cada cinco pessoas é obesa, segundo o MS, isso ocorre devido à má alimentação e a falta de exercícios. Ademais, a obesidade foi tratada como uma doença crônica que pode levar ao surgimento de diversas doenças como diabetes e hipertensão.

É necessário, pois, que se reverta a mentalidade retrógrada e preconceituosa predominante no Brasil. Para mudar essa postura, o Estado deve veicular campanhas de conscientização, na TV e na Internet, que informem a população sobre a beleza da diversidade e a necessidade de respeitá-la. Paralelamente, é fundamental o papel da escola de pregar a tolerância já que, segundo Immanuel Kant “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Portanto, a escola deve promover palestras sobre as diferenças entre as pessoas, alimentação saudável e a prática de exercícios, afim de quebrar estereótipos e incentivar a prática de atividades físicas. Além disso, as associações de bairro podem estimular a população de todas as idades a dinâmicas em grupo voltadas a perda de peso, como dança e alongamentos, em praças ou quadras públicas.