Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Famosa personagem criada por Maurício de Souza, Magali é conhecida nos desenhos por sua vontade de comer insaciavelmente. Entre almoços e jantares, os “lanchinhos” são constantes, pois é uma característica da personagem. Embora os quadrinhos sejam uma obra da ficção, os personagens da “Turma da Mônica” representam, de forma verídica, os comportamentos sociais no que tange à obesidade no Brasil. Uma vez que o estilo de vida moderno influencia os maus hábitos alimentares, o sobrepeso torna-se uma realidade na vida do indivíduo que, por conseguinte, sofre preconceitos sustentados por estereótipos.
Primeiramente, cabe pontuar que a rotina contemporânea corrobora para o desenvolvimento da obesidade. Isso ocorre porque o interesse mercadológico de empresas alimentícias influencia, por meio de propagandas e promoções, o consumo rotineiro de comidas industrializadas. Nesse viés, os chamados “fast-foods” tornam-se aliados na rotina corrida e cansativa do trabalhador, que no regresso ao lar dispõe-se de pratos congelados e entregas rápidas por aplicativos de celular, a exemplo. Dessa maneira, a praticidade dos alimentos multiprocessados cultiva hábitos não saudáveis que, praticados a longo prazo, tendem a desenvolver a obesidade.
Consequentemente, o indivíduo que se encontra acima do peso sofre discriminação, visto que a indústria da moda impõe padrões estéticos a serem seguidos. Para David Émile Durkheim, sociólogo francês, essa padronização é uma ação coercitiva, a qual a sociedade retroalimenta essa nociva relação, além de garantir a moralidade. Entretanto, os que fogem do modelo pré-determinado são julgados pela “ditadura da beleza” que de modo cruel corrobora para inúmeros preconceitos, como gordofobia, e, por vezes, fazem vítimas fatais.
Portanto, a compreensão de que saúde não é apenas ausência de doença e que imposições sociais podem gerar danos irreversíveis colocam a discussão de sobrepeso e obesidade em uma esfera que abrange diversos setores para garantir soluções contundentes. Assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde amplie a fiscalização e a punição de propagandas alimentícias persuasivas que estimulam o consumo constante de industrializados, por meio da supervisão do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a fim de motivar a conciliação dos hábitos saudáveis e da rotina moderna na sociedade brasileira. Ademais, o Ministério Público deve desenvolver campanhas publicitárias divulgadas nas redes sociais, como Facebook e Instagram, buscando descontruir preconceitos pautados em estigmas, por meio da valorização da diversidade física dos indivíduos.