Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 03/10/2019
Em pesquisa recente de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, divulgada pelo Ministério da Saúde foi constatada que a obesidade atinge a 18,9% da população do país. Esses dados são extremamente preocupantes pois trazem a informação adicional de que mais da metade da população possui alguma forma de alteração na relação altura e peso, o que interfere tanto na manutenção da saúde física quanto da mental, na medida em que está sujeita aos malefícios do excesso de peso, como o aumento de pressão arterial, os comprometimentos cardiovasculares, além de expostos ao preconceito, normalmente direcionando ao isolamento e à depressão do indivíduo.
A priori, a obesidade e a depressão parecem ser ciclicamente interligadas na medida em que ter depressão é um fator de risco para ter excesso de peso , sendo o contrário também verdadeiro, ou seja, ter obesidade ou sobrepeso aumenta o risco de depressão.Esse fato é explicado através de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz ( FIOCRUZ) que constatou que 30% daqueles que buscam tratamento para obesidade o fazem também para depressão,sendo esta ligada a maus tratos na infância, problemas com autoestima ou por terem sofrido alguma forma de preconceito.Se, por um lado, isso resulta em problemas psíquicos, interferindo com a relação que estabelece com o alimento de forma compulsiva, por outro, o excesso de peso pode levar o indivíduo à depressão pelo isolamento social causado por terceiros ou por culpa pelos excessos alimentares cometidos.
A posteriori, corroborando com essa tese, a pesquisa constatou que a interferência em um dos lados, atinge direta e positivamente o outro.Por exemplo: ao efetuar uma abordagem farmacológica sobre a depressão aumentando os níveis de serotonina no corpo- hormônio responsável pela sensação de bem estar- ocorre a redução dos sintomas da depressão e da compulsão por alimentos.Tal situação se repete quando o indivíduo faz um tratamento para excesso de peso e obtém como efeito colateral a redução da depressão, em grande medida pela elevação da autoestima e da redução do níveis do preconceito aos quais está sujeito, a chamada “gordofobia”.
Nessa perspectiva, portanto , percebe-se a necessidade de combater o ciclo obesidade - depressão pois esses se retroalimentam.Isso pode ser feito através de programas de acompanhamento infantil de peso e fomento á alimentação saudável.Tanto o Ministério da Educação quanto o da Saúde devem lançar programas nas escolas e postos de saúde para que sejam feitas rotineiramente avaliações físicas e psicológicas para diagnóstico precoce em casos dessas síndromes, com educação no sentido de orientar a população para uma vida mais saudável, com respeito ao indivíduo, sem preconceitos , para que esse mal não perdure e deixe de assombrar o futuro da sociedade contemporânea.