Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 05/10/2019
Situada no topo do ordenamento jurídico nacional, a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, garante no artigo 6 o direito à saúde. Não obstante, a obesidade, o sobrepeso e os preconceitos que os acompanham impossibilitam que essa seção da sociedade usufrua desse direito fundamental na prática. Alimentos ultraprocessados e industrializados associados à hábitos alimentares irregulares causam o sobrepeso, mas, ao incluir o preconceito na equação, o resultado é o ódio e a impotência diante da própria condição.
A saúde é um dos principais fatores que influenciam no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui políticas públicas eficientes, que regulem e fiscalizem a produção, a venda e a importação de alimentos ultraprocessados. Contudo, a realidade é justamente a oposta e esse tipo de comida compõe a maioria das prateleiras dos mercados, além de ser mais barata do que produtos orgânicos, oriundos de agriculturas familiares. Como resultado disso, mais de 50% da população brasileira está acima do peso, segundo dados da VIGITEL, sistema acoplado ao ministério da saúde que faz pesquisas por telefone. Faz-se mister, ainda, salientar o preconceito e o desleixo dos órgãos públicos como impulsionadores dessa epidemia. Ao ser criticado, o obeso toma para si toda a responsabilidade pela sua condição, acumulando o fardo de estar doente e de se sentir culpado por isso. Além do mais, tudo parece ser projetado sem levar em consideração a necessidade dessas pessoas. Catracas de ônibus mal projetadas, assentos pequenos demais e roupas somente sob encomenda emitem uma mensagem subconsciente, semiótica, de que eles não são “normais”.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de uma solução não paliativa para essa temática. Dessa maneira, urge que o Poder Executivo inclua nas suas diretrizes de governo, por intermédio do Plano Plurianual, o combate ao excesso de produtos industrializados e processados, a fim de que seja tratado como prioridade na ordem de execução das metas governamentais pré estabelecidas. Dessa maneira, os Governos dos Estados, em todos os seus níveis, terão mais recursos financeiros à mão e, percebendo uma predisposição da administração superior em resolver questões relacionadas à saúde, se alinharão às indústrias alimentícias, abrindo possibilidades para, por exemplo, criar um fundo colaborativo para fomentar a agricultura familiar regional, o que extinguiria ou minimizaria a questão em voga.