Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 08/10/2019
Policarpo Quaresma, protagonista da obra prima de Lima Barreto, foi um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de um reflexão ética e moral, haja vista que entraves como a obesidade e o preconceito do sobrepeso ainda se fazem presentes no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a alimentação irregular se tornar aceitável, bem como esclarecer o preconceito do sobrepeso enfrentado diariamente na sociedade, em busca de soluções eficientes para esse entrave.
Em abordagem inicial, nota-se que a má alimentação ocorre em paralelo com a aceleração do mundo moderno, por conseguinte, os indivíduos optam por alimentos que sejam mais rápidos de serem preparados e consumidos. Nessa perspectiva, tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizado por Barreto, na medida em que o consumo de processados e “fast-foods” se tornam a primeira opção de refeição, uma vez que, além de apresentarem grande quantidade de gorduras, possuem carência de vitaminas essenciais. Aliás não se pode negar que, adaptando a ideia de modernidade líquida de Zyigmunt Bauman, entende-se que, hoje, o prazer imediato é mais valorizado que os cuidados com a boa alimentação no cotidiano do brasileiro. Dessa forma, surgem diversas consequências, principalmente à saúde, que evidencia os males do mundo atual.
Ainda convém lembrar que, a obesidade e o sobrepeso afeta diretamente as relações sociais, seja no ambiente de trabalho ou acadêmico, além disso, a legislação brasileira, não prevê medidas específicas para punição de quem pratica gordofobia. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, em sua obra “O contrato social”. Conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismos sociais é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio de cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social pois os critérios que definem a ação da gordofobia ainda não são claros, de tal forma é mais difícil de prová-los, visto que em determinados contextos podem ser subjetivadas.
Portanto, o Ministério da Saúde deve alertar a sociedade dos riscos da má alimentação, a partir de campanhas publicitárias, não só, como atendimento nutricional em espaços públicos, com vistas a auxiliar no cardápio diário dos indivíduos. Outra medida importante a ser efetivada é a regulamentação de uma lei específica, que tipifica a gordofobia como crime, criando medidas punitivas à ações discriminatórias, algo que terá sucesso se houver uma pressão popular ao poder legislativo. Com essas ações acredita-se que a problemática será resolvida de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.