Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Em um episódio da série americana “Grey´s Anatomy”, um paciente obeso tem dificuldades de ser assistido pelos hospitais, pois a maioria não possuíam infraestrutura adequada. No decorrer da trama é abordado o preconceito de médicos e de outros pacientes contra a pessoa obesa  e a forma como isso dificulta o tratamento deste problema: A obesidade e o sobrepeso como uma questão de saúde pública. Nesse contexto, nota-se que tal enredo revela uma realidade da sociedade brasileira. Em meio a isso, é imperativo entender as causas do crescimento de indivíduos obesos e combater, com efeito, a gordofobia no Brasil.

Convém ressaltar, mormente, que a obesidade é uma consequência da falta de uma educação alimentar que inicia-se, sobretudo, na infância. Visto que não há nas escolas e nas grandes mídias programas que discutam a importância e as formas de alcançar uma alimentação saudável. Pode-se perceber, nesse caso, a aplicação da máxima de Émile Durkheim de que o homem é produto do meio, ou seja, segundo o sociólogo, o meio externo influencia diretamente o comportamento do indivíduo. Sob esse âmbito, o grande apelo midiático das propagandas de alimentos calóricos e industrializados influenciam, em grande parte, o consumo de alimentos que favorecem à obesidade.

Outrossim, a construção de padrões corporais estéticos presentes nas novelas, séries e filmes colaboram para o preconceito contra as pessoas acima do peso. Nesse sentido, a gordofobia dificulta o tratamento da obesidade, pois a maioria dos indivíduos desenvolvem questões como depressão, baixa autoestima e vergonha de buscar auxílio médico. Consoante a atriz brasileira Mariana Xavier - ativista da luta contra a gordofobia - a discriminação é motivada pela própria mídia. Desse modo, a consequência da falta de debates sobre os cuidados com a alimentação e a quebra de padrões estéticos é o fortalecimento do preconceito na sociedade.

Destarte, fica claro a necessidade de lidar com os problemas da obesidade e sobrepeso, bem como mitigar a gordofobia no Brasil. Para tanto, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) regulamentar as propagandas de alimentos prejudiciais à saúde, como os “fast food”, na televisão e nas redes sociais. Isso pode ser feito mediante um alerta, durante as propagandas, sobre os riscos de uma alimentação não nutricional e a importância de atividades físicas para evitar a obesidade. Ademais,as emissoras de televisão aberta devem abordar esse assunto como tema de suas novelas e programas, visto que a sociedade discute melhor a temática pautada por essas produções. Nesse sentido, o intuito dessa divulgação é quebrar padrões estéticos construído por anos e, assim, combater o preconceito na sociedade brasileira.