Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Em “Euphoria”, série criada por Sam Levinson, Katherine Hernandez é vítima de bullying pelo seu gradual ganho de peso desde a infância. Porém, ela nunca se incomodou com as críticas, sempre empoderando e aceitando seu corpo. Analogamente, a personagem expõe um problema presente na conjuntura brasileira: a tendência do aumento de indivíduos afetados pela obesidade, sendo essa condição uma ameaça para sua qualidade de vida. Do mesmo modo, essas pessoas constantemente discriminados e marginalizadas pela sociedade.
Primordialmente, convém investigar os perigos relacionados a saúde dos cidadãos considerados obesos. Conforme descrito por Platão, a Alegoria da Caverna consiste em um grupo de homens que não sabiam da existência de uma realidade externa, negando-se a conhecer uma vida diferente da que estão habituados. Nesse sentido, percebe-se que, como o sobrepeso normalmente é um resultado de uma predisposição genética ou da construção de maus hábitos alimentares, os brasileiros afetados por essa condição apresentam uma certa relutância em adotarem uma nova rotina mais saudável. Por conseguinte, ao se recusarem a abandonarem essa conduta autodestrutiva, sua saúde, que já se encontra em estado de vulnerabilidade, é ainda mais comprometida, uma vez que o excesso de gordura os torna mais suscetíveis a terem certas doenças como, por exemplo, a diabetes.
Outrossim, o estabelecimento de um padrão de beleza pela mídia contribui na consolidação da gordofobia. Consoante a isso, vale citar o conceito de Indústria Cultural, o qual, conforme definido pela Escola de Frankfurt, é responsável pela padronização das produções artísticas, manipulando o sujeito passivo a acreditar que não existe espaço para o diferente. Nessa perspectiva, a constante representação da magreza como essencial para que as pessoas sucedam na vida em obras cinematográficas e televisivas resulta na alienação dos espectadores, os quais passam a construir um sentimento de aversão aos indivíduos que não se encaixam nesse parâmetro do suposto corpo perfeito.
Em virtude do que foi mencionado, evidencia-se que o cenário atual urge de mudanças. Sendo assim, para garantir que aqueles que sofrem com o excesso de gordura passem por um processo adequado de reeducação alimentar, cabe aos ministros da saúde e da economia fornecerem, por meio de subsídios de clínicas particulares em todo o território nacional, tratamento gratuito com nutricionistas e endocrinologistas para os cidadãos que sofrem dessa doença, assegurando que, ao receberem acompanhamento profissional, eles sejam capazes de manter um quadro saudável. Somente assim será possível possibilitar que, diferente dos homens na Alegoria da Caverna, a população tenha acesso a novas informações e, consequentemente, escolha adotar um estilo de vida mais salutífero.