Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/10/2019

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade assemelha-se a um “corpo biológico”. Nessa lógica, todos os indivíduos são essenciais e igualitários na manutenção do bem coletivo desse organismo. No entanto, o que se observa, no Brasil, é o oposto de um corpo social harmônico e equitativo, uma vez que a sobrepeso e o preconceito dificultam que isso seja alcançado. Nesse sentido, diante dessa instabilidade, é possível perceber que o consumo excessivo de produtos industrializados, que aliados com padrões corporais de beleza são os maiores violões dessa problemática.

A princípio, é importante pontuar que a obesidade, no Brasil, deriva do consumo excessivo de produtos industrializados e geram sérios problemas de saúde. Nesse contexto, é cada vez mais comum consumir refrigerantes e comidas ricas em carboidratos. Esses alimentos modificam o metabolismo humano liberando dopamina, o neurotransmissor do prazer, que é responsável por criar dependência. Além disso, a dieta desbalanceada rica em gorduras e açúcares pode causar doenças como: hipertensão e diabetes, o que é catastrófico para saúde pública brasileira.

Ademais, o preconceito, com pessoas acima do peso, encontra caminho fértil no Brasil, devido a criação de padrões corporais de beleza. Desse modo, a Escola de Frankfurt traz uma grande contribuição ao dissertar sobre a indústria cultural. A mídia, com interesse de vender produtos, constrói padrões culturais de beleza que serão comercializados para as massas. Por essa lógica, indivíduos que não se encaixam nesses padrões sofrem agressões físicas e verbais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 92% dos brasileiros já foram agentes ou alvos de “Gordofobia”. Portanto, isso é um problema sério, visto que em busca de aceitação muitas pessoas se submetem a tratamentos estéticos perigosos e acabam morrendo.

Infere-se, portanto, que é necessária uma intervenção a fim de resolver esse problema. É essencial que o Estado, por meio do Ministério da Fazenda, promova o aumento dos impostos em produtos danosos a saúde dos consumidores, como por exemplo: Refrigerantes, doces e frituras. Em contrapartida, produtos saudáveis deverão sofrer cortes de impostos, a fim de estimular seu consumo pela redução de preços. Além do mais, é importante que o Poder executivo crie campanhas, em mídias sociais, com objetivo de desconstruir padrões corporais de beleza. As campanhas deverão ser feitas com modelos acima do peso, que deverão ter sua beleza exaltada, com a finalidade de promover a aceitação dessas pessoas e acabar com o preconceito. Dessa forma, é possível que a sociedade brasileira possa conviver de forma harmônica semelhante ao “corpo biológico” proposto por Émile Durkheim.